Dessas conversas, emerge a discussão do valor do voto – afinal, para que se obriga todo mundo a votar, é o que se pergunta. A corrupção, a desconfiança dos políticos, o neoliberalismo, saudades de Getúlio Vargas e Brizola, tudo isso vai compondo um mosaico de onde emerge uma verdadeira cara do País. E a pergunta maior: existe democracia? Um dos entrevistados não tem dúvidas de que não: “A nossa democracia é fingida, não é verdadeira”.
Para enquadrar toda a discussão num eixo histórico, não faltam algumas imagens de arquivo, que remetem à ditadura de 1964. Percebe-se que o filme não aspira a ser um mero registro fragmentado de opiniões e rostos. Quer ser, isto sim, um registro da história do aqui e do agora.
Na montagem atual, diferente da exibida no Festival do Rio de 2005, também foram eliminadas as referências mais diretas à eleição de 2002. Uma boa contribuição a que Intervalo Clandestino escape da armadilha de ficar datado depressa demais. Do modo que ficou, sua permanência aumenta, apesar de sua inequívoca ligação com o tempo presente.
Como em Rocha que Voa (2002), documentário que marcou sua estréia e falava de seu pai, Glauber Rocha, Eryk realiza um filme marcado por uma variação criativa de texturas e efeitos sonoros.
