O longa se faz valer de imagens raras, até então desconhecidas, do inventor para contar a sua trajetória. Com roteiro assinado pelo pesquisador-titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, Henrique Lins de Barros (autor de dois livros sobre o aviador), “O Homem Pode Voar” traça de forma fragmentada a vida e obra do personagem.
Alguns depoimentos falam mais de como era Santos Dumont longe da vida pública, ou como, por exemplo, se decepcionou ao ver seu invento, o avião, usado na Primeira Guerra Mundial para matar. Isso, aliás, é dado como causa de ele não ter mais testado novos modelos e caído numa depressão profunda. Porém, a esclerose múltipla que afetou o aviador nos seus últimos vinte anos de vida é pouco citada no filme.
Entre os entrevistados estão Sophie Hélène, sobrinha-neta de Santos Dumont, e Alan Cartier, neto de Louis Cartier, que criou junto com o inventor o relógio de pulso. Porém, as idas e vindas do roteiro, que não segue a ordem cronológica, tornam penoso acompanhar a trajetória do criador do avião.
Não deixa de ser frustrante a experiência de ver imagens tão raras desperdiçadas num filme que mais parece vídeo institucional. Em momento algum, “O Homem Pode Voar” joga uma nova luz sobre o personagem, ou mesmo, consegue captar sua genialidade.
Os pontos altos do documentário estão nas imagens a do vôo definitivo do 14-bis, nas dos experimentos com o número 18 no Sena e as dos mais importantes vôos do Demoiselle (1907/1908). A narração de Roberto Maya dá o tom solene de “O Homem Pode Voar”, que, com uma montagem mais linear, poderia estrear direto na televisão.
