Já Amanda Bynes (Tudo que uma garota quer) é Viola, uma adolescente apaixonada por futebol que descobre não poder mais jogar quando sua escola acaba com o time feminino. Para provar o seu valor, ela assume a personalidade do irmão (que viajou para a Inglaterra), veste-se de menino e se instala no colégio dele para mostrar que merece uma chance no futebol.
Shakespeare é o melhor, e não por acaso. Ele sabe lidar com a questão de amores mal resolvidos, identidades trocadas e a comédia de erros com graça e sagacidade. A idéia de adaptar o tema não é de todo ruim e poderia render boas situações, se o filme não dependesse tanto do talento cômico de Amanda. Se ela o tem, aqui não consegue mostrar nenhum – assim como a sua suposta habilidade com a bola nos pés. Parecida com um menino gorducho e sem muita noção das coisas – quando deveria ser um rapaz atlético, afinal ‘ele’ é um tremendo jogador de futebol – a garota não encontra o tom e fica nas caras-e-bocas, desfiando piadas machistas pois, na cabeça dela, todo adolescente macho vê as meninas como objeto sexual.
É claro que o público-alvo deste filme (as adolescentes) não vai lembrar, mas nos anos 80 houve uma comédia com temática bem parecida e muito, muito mais divertida e inteligente. Quase Igual aos Outros trazia uma adolescente que fingia ser um rapaz para poder ser levada a sério e participar de um concurso de jornalismo. Acabava ajudando um amigo nerd a ficar com a garota mais bonita da escola e se apaixonava por ele. Igualzinho a esse Ela é o Cara, mudando apenas um ou outro detalhe. A grande diferença é que, naquela década, o puritanismo e a síndrome do politicamente correto não assolavam os EUA (e Hollywood por conseqüência) como hoje em dia.
Mulher travestida por mulher travestida, é bem melhor ficar com a Gwyneth Paltrow de Shakespeare Apaixonado (que também se inspira em Noite de Reis). Lá existe tudo o que falta aqui, uma personagem carismática, graça, charme, romance e até o Bardo, em pessoa.
