O novo documentário de Evaldo Mocarzel (À Margem da Imagem, Parteiras) fala de um assunto bem próximo ao diretor: a Síndrome de Down. Ele é o pai da atriz Joana Mocarzel, que agora participa da novela “Páginas da Vida”, no papel de Clara, filha de Regina Duarte. A intimidade com o assunto permite que o documentarista o aborde com segurança e paixão.
Do Luto À Luta fala não apenas das dificuldades das pessoas com a síndrome, mas também de como é possível que eles se adaptem à sociedade e levem uma vida praticamente normal. Para provar isso, o documentário vale-se de exemplos reais, como dois jovens ‘downianos’ que se casam e outros que estudam e trabalham.
A pessoa com Síndrome de Down tem uma má-formação genética, que acarreta problemas físicos e mentais. O filme, porém, prova que uma adaptação saudável do indivíduo depende mais da sociedade do que do portador da síndrome. Os jovens, sensíveis e inteligentes, se mostram tão aptos a aprender e trabalhar como pessoas que não têm esse problema.
O filme mostra que a primeira grande dificuldade que a criança com Down enfrenta é a aceitação dentro da própria família. Como diz um pai entrevistado: ‘Foi um susto. O obstetra tinha até medo de dizer, e eu percebi que tinha algo de diferente’.
Como alguns entram num processo de negação, em geral cabe à mãe acolher o filho e cobri-lo de cuidados especiais. Já para outro pai, a experiência foi um processo de descoberta de si mesmo. O que acabou contagiando toda a família e facilitando a adaptação da criança.
Mocarzel mostra que a vida de uma pessoa com Síndrome de Down requer alguns cuidados especiais, mas nem por isso é limitada. Dois jovens (os mesmos que vão se casar) dizem que sonham ser cineastas, e o diretor lhes dá a chance de dirigir uma cena. Cada um deles lida com temas médicos – um pai que tem lidar com problemas após o nascimento do filho. O resultado das filmagens é impressionante.
Um dos jovens entrevistados, que também gosta de cinema, pergunta a Mocarzel porque o diretor está fazendo um filme sobre esse assunto. O diretor não precisa de palavras para dizer o motivo, apenas mostra imagens de sua filha ao lado dele.
Do Luto À Luta consegue ser emocionante e emotivo, sem cair na pieguice. Ao mesmo tempo, é também informativo. Assim, tem tudo para mudar uma série de conceitos errôneos que estão enraizados na sociedade, e pode abrir novas portas a jovens portadores da síndrome.
Do Luto À Luta participou de diversos festivais no Brasil, e ganhou diversos prêmios. Entre eles estão o prêmio especial do júri no Festival de Cinema de Gramado/2005, troféus de Melhor Documentário pelo júri popular no Festival Internacional do Rio 2005, prêmio do júri e de público, no Festival Assim Vivemos – 2º Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência e Cine PE – Festival do Audiovisual de Recife 2005 (prêmios de Melhor Filme, Documentário, Diretor, Montagem, Fotografia, Crítica e Público).
