03/07/2026
Drama

Sonhadora

Ben (Kurt Russell) é um ex-criador de cavalos que agora trabalha para um rico proprietário. Um dia, este coloca numa corrida uma égua que estava machucada e ela fratura a pata. Quando o dono manda sacrificá-la, Ben interfere e acaba demitido. Mas consegue que o ex-patrão lhe dê a égua em pagamento. Com a ajuda da filha (Dakota Fanning) e do pai (Kris Kristofferson), ele a recupera e a inscreve numa grande corrida, que vale um alto prêmio em dinheiro.

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Típico filme feito para toda a família e repleto de bons sentimentos, Sonhadora sustenta-se pela sinceridade com que o bom elenco se entrega à história. Sem contar a irresistível simpatia dos cavalos, que estão no centro da trama, inspirado num caso real.

Dakota Fanning tem a oportunidade de agarrar um papel completamente doce, que permite ao público lembrar que ela ainda tem só 12 anos – e um indiscutível talento – e esquecer alguns dos papéis um tanto histéricos que passaram por seu caminho, caso de Guerra dos Mundos e O Amigo Oculto.

O título remete à menina, mas na verdade, ela descende de um clã de sonhadores, à frente deles, seu pai, Ben Crane (Kurt Russell). Antes um criador de cavalos, ele agora trabalha cuidando deles para homens ricos e inescrupulosos como Palmer (David Morse). Mas todo seu brio volta à tona no dia em que uma das mais promissoras éguas de seu plantel sofre uma queda, fratura a pata e corre o risco de ser sacrificada. Demitido por falar o que pensa ao patrão, Ben convence-o, no entanto, a dar-lhe o animal machucado como pagamento. E todo mundo sabe que o filme começa realmente a partir daí.

A recuperação da égua é acompanhada de perto pela menina Cale (Dakota), a filha de Ben que sente tanta falta da atenção do pai. O animal acaba funcionando como catalisador de uma verdadeira regeneração das relações familiares, já que adere ao esforço de sua cura e treinamento também o patriarca Pop Crane (Kris Kristofferson), que há um bom tempo já não falava com o filho Ben.

Bom-mocista até a medula, o filme tem ainda um toque politicamente correto ao incluir entre seus personagens mais simpáticos dois empregados de origem mexicana, Balon (Luiz Guzmán) e o jóquei Manolin (Freddy Rodriguez, da série A Sete Palmos). E não será o menor mérito deste elenco ter dado um papel decente à bela e talentosa Elisabeth Shue, que não vem tendo boas oportunidades desde sua indicação ao Oscar em Despedida em Las Vegas (1995).

Nem tão politicamente correto, no entanto, é colocar como pano de fundo a rivalidade entre dois ricos príncipes de origem árabe, um dos quais, aliás, terá até um importante papel no patrocínio à grande volta da égua ao circuito das corridas. Caricaturizados como “os inimigos da hora” desde o 11 de setembro, os árabes vêm substituindo os russos nas histórias de Hollywood como vilões preferenciais.

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