Dakota Fanning tem a oportunidade de agarrar um papel completamente doce, que permite ao público lembrar que ela ainda tem só 12 anos – e um indiscutível talento – e esquecer alguns dos papéis um tanto histéricos que passaram por seu caminho, caso de Guerra dos Mundos e O Amigo Oculto.
O título remete à menina, mas na verdade, ela descende de um clã de sonhadores, à frente deles, seu pai, Ben Crane (Kurt Russell). Antes um criador de cavalos, ele agora trabalha cuidando deles para homens ricos e inescrupulosos como Palmer (David Morse). Mas todo seu brio volta à tona no dia em que uma das mais promissoras éguas de seu plantel sofre uma queda, fratura a pata e corre o risco de ser sacrificada. Demitido por falar o que pensa ao patrão, Ben convence-o, no entanto, a dar-lhe o animal machucado como pagamento. E todo mundo sabe que o filme começa realmente a partir daí.
A recuperação da égua é acompanhada de perto pela menina Cale (Dakota), a filha de Ben que sente tanta falta da atenção do pai. O animal acaba funcionando como catalisador de uma verdadeira regeneração das relações familiares, já que adere ao esforço de sua cura e treinamento também o patriarca Pop Crane (Kris Kristofferson), que há um bom tempo já não falava com o filho Ben.
Bom-mocista até a medula, o filme tem ainda um toque politicamente correto ao incluir entre seus personagens mais simpáticos dois empregados de origem mexicana, Balon (Luiz Guzmán) e o jóquei Manolin (Freddy Rodriguez, da série A Sete Palmos). E não será o menor mérito deste elenco ter dado um papel decente à bela e talentosa Elisabeth Shue, que não vem tendo boas oportunidades desde sua indicação ao Oscar em Despedida em Las Vegas (1995).
Nem tão politicamente correto, no entanto, é colocar como pano de fundo a rivalidade entre dois ricos príncipes de origem árabe, um dos quais, aliás, terá até um importante papel no patrocínio à grande volta da égua ao circuito das corridas. Caricaturizados como “os inimigos da hora” desde o 11 de setembro, os árabes vêm substituindo os russos nas histórias de Hollywood como vilões preferenciais.
