Em sua primeira metade, em terras mexicanas, o filme é um road-movie, quando os dois jovens se conhecem e Dolores (personagem de Alice) não pode voltar para os EUA, onde estuda, porque perde seu passaporte. Ela acaba conseguindo ajuda de Damián (Luna), um repórter que lhe dá carona. Em sua viagem, os jovens entram em contato com manifestações religiosas típicas do México.
De volta ao Brasil, Dolores descobre que sua avó participava de cultos afro-brasileiros, e começa a se interessar por essas manifestações também. Bolado mostra-se mais um observador respeitoso do que curioso dos rituais. Tudo é filmado com um certo distanciamento e deslumbre frente às manifestações da cultura e religião popular.
A religião e o romance se misturam cada vez mais no último ato de Só Deus Sabe, quando um melodrama insiste em tomar conta da trama. Bolado consegue manter o nível enquanto o filme está no México, mas perde a mão quando desembarca em terras brasileiras (com cenas rodadas em São Paulo e Bahia). Não consegue se salvar nem no fim, que é macumba para turista – literalmente.
