06/06/2026
Drama

Infância Roubada

Órfão que teve de crescer se defendendo sozinho nas ruas, Tsotsi tornou-se um jovem violento, que intimida os demais membros de sua gangue. Sua vida vira do avesso no dia em que assalta uma mulher. Depois de dar-lhe um tiro, ele rouba seu carro. Então descobre que no banco de trás está um bebê.

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É pouco provável que este drama sul-africano, de Gavin Hood, chegaria aos cinemas brasileiros se não tivesse ganhado o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2006, batendo o favorito, o palestino Paradise Now.

Não é muita surpresa o prêmio ter ido para Infância Roubada, afinal, o filme tem muitas das características que costumam impressionar os votantes, como tema social e uma redenção. Nenhum desses fatores eleva o drama a um patamar mais alto – muito pelo contrário.

Infância Roubada é uma espécie de A Criança, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, às avessas. Um bebê aparece para mudar a vida do protagonista, David (Presley Chweneyagae), mais conhecido como Tsotsi, que significa ‘ladrão’, na linguagem do gueto. O jovem é o líder de uma gangue que tenta esquecer o seu passado. Por ter se tornado órfão muito cedo, o garoto teve de enfrentar uma série de problemas que o transformaram num fora-da-lei endurecido.

A sua relação com as outras pessoas, mesmo os membros de sua gangue, sempre é tensa. Tsotsi parece desprovido de sentimentos, é como um autômato preocupado apenas com a sua sobrevivência e em amedrontar os demais. Isso muda no momento em que atira em uma mulher e rouba um carro sem saber que há um bebê no banco de trás.

Essa nova figura será responsável por despertar novos sentimentos em Tsotsi. A vida do rapaz sempre foi construída em cima de medos e necessidades, o que o transformou numa pessoa violenta. A chegada da criança quebra esse ciclo – não porque o protagonista se regenere, mas porque não terá mais tempo para nada a não ser cuidar do bebê.

Infância Roubada é baseado num livro de Athol Fugard, já publicado no Brasil. A obra foi escrita na década de 1960 mas só foi publicada em 1980, quando a África do Sul ainda vivia sob o regime do apartheid. O filme mostra que muito pouca coisa mudou naquele país ao longo dessas últimas décadas.

No entanto, a forma ingênua com que se conduz Infância Roubada diminui a sua força. No filme, tudo se resolve muito facilmente, bem diferente da vida real, num contexto dramático como o desta história. No fim, segue-se apenas a batida fórmula sentimental de produtos hollywoodianos sobre personagens que encontram sua redenção.

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