Satanizados implacavelmente em praticamente todos os filmes abordando a II Guerra Mundial, os japoneses são aqui tratados com profundo respeito, que começa pelo fato de que os diálogos são inteiramente desenvolvidos em japonês - o que certamente explica o sucesso do filme no Japão. O roteiro desenvolve as personalidades dos personagens, quase todos interpretados por atores japoneses. Caso do general Tadamichi Kuribayashi (Ken Watanabe), o estrategista por trás do plano de cavar túneis interligando cavernas subterrâneas na ilha, detalhe que permitiu que os nipônicos ali resistissem por mais de um mês; do elegante tenente-coronel Nishi (Tsuyoshi Ihara), barão e medalhista olímpico em hipismo; do relutante soldado Saigo (Kazunari Ninomyia), um padeiro convocado contra a vontade e que só pensa em fugir e voltar para a mulher e o filho que nasceu em sua ausência; do melancólico Shimizu (Ryo Kase) e do fanático tenente Ito (Shidou Nakamura).
Compositor ele mesmo da maior parte da música dos dois filmes – neste segundo, com a participação de seu filho, Kyle Eastwood, e de Michael Stevens - Clint Eastwood arremata as duas histórias num dueto. Uma termina onde a outra começa e ambas dialogam e se explicam mutuamente. Uma proposta sofisticada, que não teve uma grande resposta do público americano mas foi ao menos lembrada nas indicações do Oscar. Cartas de Iwo Jima, mais privilegiado neste aspecto do que A Conquista da Honra, teve quatro: melhor filme, diretor, edição de som e roteiro original.
