04/06/2026
Documentário

Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro

Neste documentário, entrevista-se o arquiteto Oscar Niemeyer, um dos idealizadores de Brasília. Ele percorre algumas de suas obras, fala de arquitetura, arte, política e do futuro do homem.

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Documentário que apresenta diversas entrevistas com o famoso arquiteto, um dos mais respeitados em todo o mundo, nascido no Rio de Janeiro em 1907 – completa 100 anos em dezembro. Dono de uma notável agilidade e lucidez, ele é visto visitando diversas de suas obras, como o Museu de Arte Moderna de Niterói, uma construção simples e monumental ao mesmo tempo, que se projeta sobre o mar. Além disso, ele redesenha no papel, em linhas gerais, vários de seus principais projetos, como o prédio do Ministério da Educação, no Rio, uma universidade em Argel, a praça dos Três Poderes, em Brasília, e outros. Ao fazê-lo, permite que os espectadores tomem contato com sua admirável capacidade de visualizar suas obras no espaço e explicar os conceitos por trás de cada uma delas – cuja base é sempre a busca de uma arquitetura leve, vazada, baseada mais nas curvas do que nas linhas retas defendidas por um de seus mestres, o francês Le Corbusier. “Busco uma arquitetura de invenção, provocar o espanto”, diz Niemeyer no filme.

Até por se tratar de um personagem tão politicamente engajado quanto este, que se filiou ao Partido Comunista Brasileiro em 1945 e jamais renegou sua fé no socialismo, nem só de arquitetura vive o filme. Com sua habitual franqueza, o arquiteto fala de suas preocupações sociais, de sua simpatia pelo Movimento dos Sem-Terra e conclui: “Sou um velho pessimista. O mundo pode melhorar, o homem, não”.

Emerge, também, deste retrato, um defensor ferrenho de suas posições, seja na política, seja na arquitetura. Ele classifica, por exemplo, de "babaquice total" a defesa feita anos atrás pelo sociólogo Gilberto Freyre (autor do clássico Casa-Grande e Senzala) de que a arquitetura buscasse tornar-se mais brasileira recorrendo a suas raízes coloniais. "Nossa arquitetura colonial é mais portuguesa do que brasileira", garante Niemeyer.

O documentário abriu, fora de competição, o Festival de Brasília de 2005. Naquela ocasião, seu diretor, o cineasta Fabiano Maciel, de São Paulo, contou que o projeto começou a ser desenvolvido há sete anos. Ele destacou que, em sua opinião, “Niemeyer gerou beleza e o País está ficando feio. Ética e estética são coisas parecidas”.

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