21/07/2026
Drama Comédia

Paris, Eu Te Amo

21 diretores contam histórias de vários tipos de amor - romântico, filial, amizade - ambientadas em vários pontos de Paris. Fazem parte do time os brasileiros Walter Salles e Daniela Thomas, que assinam o segmento Longe do 16o., estrelado pela atriz colombiana Catalina Sandino Moreno.

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Paris disputa com Nova York o título de cidade mais filmada do mundo. A capital francesa, porém, leva a vantagem de ser o berço oficial do cinema, na sessão pública inaugural do cinematógrafo dos irmãos Lumière, no Boulevard des Capucines, em 1895.

Por essa longa história e todo o charme acumulado em torno de seu nome, Paris foi objeto também deste ambicioso projeto cinematográfico, que reuniu 21 diretores de todo o mundo para filmar os 18 segmentos ambientados nas diversas regiões da metrópole. Inclusive dois brasileiros, Walter Salles e Daniela Thomas, que assinam o sensível Longe do 16º, entrando de maneira original na proposta coletiva: filmar uma história de amor em cinco minutos, em algum lugar de Paris.

A atriz colombiana Catalina Sandino Moreno interpreta aqui uma babá, moradora de um subúrbio pobre, que deixa o filho numa creche para cuidar de outro bebê, filho dos patrões, no rico 16º arrondissement - como são chamadas as regiões geográficas em que se divide Paris. Na canção de ninar com que embala os dois e no olhar doído, a atriz indicada ao Oscar por Maria Cheia de Graça dá o recado de amor, no caso, materno, que se encaixa no conceito do filme.

Outros segmentos de tratam de amor filial estão no divertido Parc Monceau, do mexicano Alfonso Cuarón, com Ludivine Sagnier e Nick Nolte, e também no triste Place des Victoires, do japonês Nobuhiro Suwa, que conta com uma espetacular interpretação de Juliette Binoche. A solidariedade humana, pura e simples, comparece no tocante Place des Fêtes, de Oliver Schmitz, com Aïssa Maïga e Seydou Boro.

Boa parte dos demais segmentos trata de encontros românticos. Caso de Montmartre, do diretor francês Bruno Podalydès, que narra o encontro inusitado entre um homem (o próprio Bruno) e uma mulher que passa mal na rua (Florence Muller). Ou de Quais de Seine, da indiana Gurinder Chadha, que enfoca o princípio de um namoro entre um adolescente cristão (Cyril Descours) e uma jovem muçulmana (Leila Bekhti).

Igualmente anticonvencional é o par formado por uma candidata a atriz (Natalie Portman) e um tradutor deficiente visual (Melchior Beslon) em Faubourg-Saint Denis, do alemão Tom Tykwer. Le Marais, do norte-americano Gus Van Sant, retrata a possibilidade de um romance entre dois rapazes (Elias McConnell e Gaspard Ulliel).

Amores mais doídos na idade madura são magnificamente retratados nos episódios Bastille, da espanhola Isabel Coixet, com os atores Miranda Richardson e Sergio Castellitto; Pigalle, de Richard LaGravenese, com Fanny Ardant e Bob Hoskins; e, talvez o melhor de todos, Quartier Latin, direção de Frédéric Auburtin e Gérard Depardieu para roteiro original de Gena Rowlands, com atuação dela própria e de Ben Gazzara – retomando a esplêndida dupla de intérpretes de tantos filmes do marido de Gena, John Cassavetes.

De Wes Craven se poderia esperar um filme de vampiros, mas este é assinado pelo italiano Vincenzo Natali, tendo como chupadores de sangue Elijah Wood e Olga Kurylenko, em Quartier de la Madeleine. Craven, por sua vez, assina o episódio Père Lachaise, ambientado no famoso cemitério parisiense, onde um casal (Emily Mortimer e Rufus Sewell) quase se separa, mas recebe uma providencial inspiração do fantasma de um dos mais ilustres defuntos sepultados ali, o poeta Oscar Wilde (interpretado pelo diretor norte-americano Alexander Payne). Payne, aliás, assina o episódio final, 14º. Arrondissement, em que a atriz Margo Martindale interpreta uma carteira solitária mas mais sensível do que parece em suas primeiras férias em Paris.

Um dos momentos mais engraçados está no episódio Tuileries, dos irmãos Joel e Ethan Coen, relatando a desastrada experiência de um turista (Steve Buscemi) que tem o azar de tornar-se alvo de um casal apaixonado e louco (Julie Bataille e Axel Kiener).

Ponto a favor da produção – obteve-se a procurada unidade dramática, até certo ponto surpreendente num trabalho fragmentado entre diferentes criadores, a partir de uma montagem que soube encontrar uma certa coerência temática, supervisionada pelo citado Auburtin e por Simon Jacquet.

Com certeza, num trabalho coletivo, não faltam equívocos, sendo o maior de todos o segmento Porte de Choisy, de Cristopher Doyle, diretor de fotografia de Herói, de Zhang Yimou e Amor à Flor da Pele, de Wong kar-wai.

Uma desavença entre dois produtores originais do projeto, Emmanuel Benbihy e Tristan Carné, e a produtora Claudie Ossard, foi resolvida num acordo, mas ficaram de fora dois episódios, assinados por Christoffer Boe e Rafael Nadjari. Com eles, se completariam os vinte inicialmente previstos, número que corresponde ao dos distritos de Paris.

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