Seu tema principal é o sincretismo religioso no Brasil. Há uma mistura entre tradições cristãs e africanas na vida do personagem principal, e ao longo da narrativa. A narrativa se passa num futuro próximo, no qual o planeta sofre com guerras e poluição. O Brasil é dominado pelo medo e violência. O Irmão Sebastião (Rodolfo Vaz) é um rapaz atormentado pelos desejos da carne, tanto por homens quanto mulheres.
Recordando de sua infância, o noviço lembra-se de um episódio no qual pode ter sido violentado. Essa é uma das aflições que o consomem. A outra está na figura do Irmão Gabriel (Majô de Castro), um ser andrógino, que também atrai fortemente Sebastião, que se prepara para sua ordenação.
Os religiosos da congregação à qual Sebastião pertence têm por objetivo pregar o evangelho num mundo desolado e tentar reacender a esperança da humanidade, combinando o cristianismo da época dos mártires e movimentos messiânicos típicos do nordeste brasileiro. Mas as memórias e os medos do presente impedem que o Irmão se entregue de vez à religião.
Sebastião sente a necessidade de confessar seus segredos, como o abuso que sofreu quando criança e o amor por Gabriel, e acredita que apenas o Padre Sanctus (Marcus Miranda), o fundador da ordem, pode salvá-lo. Para superar o sentimento de culpa, o noviço se autoflagela, reza incessantemente e entra em transes.
O diretor e roteirista José Araújo (O Sertão das Memórias) consegue driblar o baixo orçamento com criatividade. Tanto a reconstituição do passado quanto as cenas futuristas de são bem resolvidas sem recorrer a efeitos especiais, trabalhando apenas com objetos cênicos na direção de arte.
No Cine Ceará do ano passado, Araújo contou que a representação do Exu é feita por uma pessoa que incorpora a própria entidade. Ou seja, não havia um ator representando um papel. Por isso, o diretor dependia da ‘disponibilidade’ da entidade para rodar as cenas.
