04/06/2026
Fantasia Drama

As Tentações do Irmão Sebastião

Num futuro devastado pela guerra e violência, o Irmão Sebastião é um noviço com dúvidas sobre sua vocação. No passado ele pode ter sofrido abusos sexuais, e agora também nutre desejo por um colega religioso. Ele acredita que a única pessoa que pode o salvar é o fundador da congregação, o Padre Sanctus.

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Desde suas primeiras exibições no festival Cine Ceará de 2006, onde recebeu os prêmios da crítica (dividido com o argentino O Guardião) e direção de arte, o longa brasileiro As Tentações do Irmão Sebastião tem causado forte resposta do público. Há os que amam e aqueles que odeiam o filme. Não é de se estranhar, afinal, a obra lida com temas complexos, como religião, culpa e sexualidade e, com mais de duas horas de duração, pede um público disposto a mergulhar numa jornada existencial cheia de tons barrocos.

Seu tema principal é o sincretismo religioso no Brasil. Há uma mistura entre tradições cristãs e africanas na vida do personagem principal, e ao longo da narrativa. A narrativa se passa num futuro próximo, no qual o planeta sofre com guerras e poluição. O Brasil é dominado pelo medo e violência. O Irmão Sebastião (Rodolfo Vaz) é um rapaz atormentado pelos desejos da carne, tanto por homens quanto mulheres.

Recordando de sua infância, o noviço lembra-se de um episódio no qual pode ter sido violentado. Essa é uma das aflições que o consomem. A outra está na figura do Irmão Gabriel (Majô de Castro), um ser andrógino, que também atrai fortemente Sebastião, que se prepara para sua ordenação.

Os religiosos da congregação à qual Sebastião pertence têm por objetivo pregar o evangelho num mundo desolado e tentar reacender a esperança da humanidade, combinando o cristianismo da época dos mártires e movimentos messiânicos típicos do nordeste brasileiro. Mas as memórias e os medos do presente impedem que o Irmão se entregue de vez à religião.

Sebastião sente a necessidade de confessar seus segredos, como o abuso que sofreu quando criança e o amor por Gabriel, e acredita que apenas o Padre Sanctus (Marcus Miranda), o fundador da ordem, pode salvá-lo. Para superar o sentimento de culpa, o noviço se autoflagela, reza incessantemente e entra em transes.

O diretor e roteirista José Araújo (O Sertão das Memórias) consegue driblar o baixo orçamento com criatividade. Tanto a reconstituição do passado quanto as cenas futuristas de são bem resolvidas sem recorrer a efeitos especiais, trabalhando apenas com objetos cênicos na direção de arte.

No Cine Ceará do ano passado, Araújo contou que a representação do Exu é feita por uma pessoa que incorpora a própria entidade. Ou seja, não havia um ator representando um papel. Por isso, o diretor dependia da ‘disponibilidade’ da entidade para rodar as cenas.

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