25/08/2026
Suspense

Quebra de Confiança

Eric O'Neill é um jovem que entra para o FBI e é obrigado a fazer um jogo de gato e rato com seu chefe, Robert Hanssen - que pode estar vendendo segredos de estado para os inimigos. O filme é baseado num caso real.

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Nos últimos meses, dois filmes de espiões chegaram às telas com resultados e abordagens mais distintas. Cassino Royale é, como todos sabem, uma festa de efeitos e, como todo bom James Bond, não tem pé nem cabeça. Já O Bom Pastor é um filme mais sobre espiões do que sobre espionagem. Quebra de Confiança consegue encontrar algo diferente a dizer e rende um filme que prende a atenção com uma narrativa bem orquestrada e o ator Chris Cooper magnífico no papel principal.

Baseado numa história real, o suspense tem como protagonista Robert Hanssen (Cooper), que cumpre prisão perpétua por ter vendido segredos de estado à União Soviética, e, posteriormente, à Rússia. Ele trabalhou por mais de 25 anos no FBI. No dia da sua prisão, em fevereiro de 2001, pela manhã foi à missa numa igreja católica. Mais tarde, deixou para alguém um saco de lixo cheio de informações num parque, não muito longe de sua casa.

O personagem é construído com nuances, dando espaço aos seus paradoxos e contradições – tanto freqüenta uma missa rezada em latim, como também faz vídeos pornôs de sua mulher sem que ela saiba. Cooper e o diretor Billy Ray fazem de Hanssen uma figura real, um pai de família que passeia com os filhos aos domingos, sem que ninguém desconfie que ele esteja traindo milhões de pessoas vendendo informações confidenciais.

Para estruturar a narrativa, Ray (que assina o roteiro com Adam Mazer e William Rotko) usa como artifício um agente em treinamento Eric O’Neill (Ryan Phillippe). O rapaz vai trabalhar com Hanssen, sobre quem sabe bem pouco. Bem mais informada sobre ele é Kate Burroughs (Laura Linney), que pretende usar o novato como isca para chegar à solução dos crimes. O verdadeiro O’Neil, que hoje é advogado, trabalhou como consultor no filme.

Espionar um espião é um tremendo desafio para o jovem agente, o que resulta em momentos de tensão. Feito de maneira claustrofóbica, com muitas cenas nos escritórios do FBI, o longa se aproxima do clima dos romances do escritor inglês John Le Carré, que há algumas décadas deu outro status às tramas de espionagem. O diretor vale-se bem dessa seriedade ao longo do filme. O que se vê na tela é um FBI despojado do glamour que Hollywood costuma emprestar ao gênero. Aqui, trata-se apenas de um profissional tentando sabotar o outro para conseguir a sua promoção.

Quebra de Confiança não tenta explicar Hanssen e suas contradições, nem sua personalidade. Cooper, que ganhou um Oscar em 2003 por Adaptação, também não cai em maneirismos, nem tenta justificar o personagem. Aqui ele é, acima de tudo, humano, cheio de ambições e sem limites para alcançar seus objetivos.

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