O roteiro, assinado por Ellis Freeman e Maurizio Jannelli, é baseado num livro de memórias de Fernanda Farias de Albuquerque, lançado na década de 1990. O diretor leu a obra e começou o trabalho de adaptação, que levou seis anos. Nesse meio tempo, Fernanda se matou. O filme continuou, segundo Goldman, para honrar a sua memória.
A personagem Fernanda, bem como a verdadeira travesti, apenas queriam levar uma vida normal, ao lado do homem amado. Para alcançar esse objetivo, a operação de mudança de sexo é fundamental para ela, que se vê como uma mulher presa num corpo de homem. Milão parece o local ideal para encontrar homens dispostos a pagar para ficar com travestis.
Com uma mentalidade diferente de suas colegas de trabalho, Fernanda, agora conhecida como Princesa, vê essa situação como transitória, e espera abandonar logo essa vida. E isso acontece quando conhece Gianni (Cesare Bocci), um homem casado que se apaixona por ela. Os dois passam a viver uma relação de sonho depois que ele se separa da mulher.
Goldman sabe que está lidando com um material que já foi explorado pelo cinema uma centena de vezes: mulher se muda para a cidade grande em busca de uma vida melhor, sofre, encontra um amor, sofre novamente mas sai disso mais forte – com a diferença que aqui a mulher é um travesti. Por isso, não tenta transformá-lo em algo mais glamuroso. Mas para um filme que lida com temas e situações tão provocativas, Princesa é bem quadrado na sua execução e falta de ousadia.
Não ajuda muito também o fato de que o elenco, em especial a protagonista, não tenha um bom desempenho. Sua falta de expressividade e convicção faz com que as emoções e sentimentos de Fernanda nunca sejam aprofundados e soem falsos na tela.
