03/06/2026
Drama

Princesa

Fernanda (Ingrid de Souza), cujo nome de guerra é Princesa, é um travesti brasileiro que se muda para a Itália. Ela se prostitui para conseguir dinheiro para bancar uma operação de mudança de sexo. Quando conhece Gianni (Cesare Bocci), acredita que encontrou a felicidade, e os dois vão morar juntos. Mas a vida não é fácil para eles.

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"Princesa" é um codinome que vem bem a calhar à protagonista desta produção rodada na Europa, e dirigida pelo brasileiro radicado na Inglaterra Henrique Goldman. A personagem é Fernanda (Ingrid de Souza) uma travesti brasileira que se muda para Milão, onde pretende se prostituir para pagar uma operação de troca de sexo. Como num conto de fadas, ela conhece um príncipe encantado que se apaixona por ela e vivem felizes – até o momento em que a realidade acaba com a fantasia.

O roteiro, assinado por Ellis Freeman e Maurizio Jannelli, é baseado num livro de memórias de Fernanda Farias de Albuquerque, lançado na década de 1990. O diretor leu a obra e começou o trabalho de adaptação, que levou seis anos. Nesse meio tempo, Fernanda se matou. O filme continuou, segundo Goldman, para honrar a sua memória.

A personagem Fernanda, bem como a verdadeira travesti, apenas queriam levar uma vida normal, ao lado do homem amado. Para alcançar esse objetivo, a operação de mudança de sexo é fundamental para ela, que se vê como uma mulher presa num corpo de homem. Milão parece o local ideal para encontrar homens dispostos a pagar para ficar com travestis.

Com uma mentalidade diferente de suas colegas de trabalho, Fernanda, agora conhecida como Princesa, vê essa situação como transitória, e espera abandonar logo essa vida. E isso acontece quando conhece Gianni (Cesare Bocci), um homem casado que se apaixona por ela. Os dois passam a viver uma relação de sonho depois que ele se separa da mulher.

Goldman sabe que está lidando com um material que já foi explorado pelo cinema uma centena de vezes: mulher se muda para a cidade grande em busca de uma vida melhor, sofre, encontra um amor, sofre novamente mas sai disso mais forte – com a diferença que aqui a mulher é um travesti. Por isso, não tenta transformá-lo em algo mais glamuroso. Mas para um filme que lida com temas e situações tão provocativas, Princesa é bem quadrado na sua execução e falta de ousadia.

Não ajuda muito também o fato de que o elenco, em especial a protagonista, não tenha um bom desempenho. Sua falta de expressividade e convicção faz com que as emoções e sentimentos de Fernanda nunca sejam aprofundados e soem falsos na tela.

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