O atirador é velho conhecido de Lee. Trata-se de seu irmão de criação, Kenji (o ator japonês Hiroyuki Sanada, de O Samurai do Entardecer). Como Lee não tem coragem de atirar em Kenji naquele momento, inicia-se a trama que vai sustentar esta aventura, levando o inspetor de Hong Kong a precisar novamente da ajuda de seu atrapalhado colaborador, o policial de Los Angeles James Carter (Chris Tucker).
Carter continua igualzinho. Cheio de autoconfiança, maneiroso, atirado nas meninas. Neste momento, ele está apenas orientando – supostamente – o trânsito numa esquina de Los Angeles. Na verdade, está mais fazendo uma performance atlética no meio da rua, ouvindo suas músicas favoritas. Espertamente, aproveita os incidentes de sua rotina, como uma batida de carro, para avançar nas gatinhas que passam por sua frente.
É justamente a perseguição frenética de Lee ao irmão atirador que vai recolocar Carter na história. Afinal, esta franquia não vive sem a dupla. E os dois vão procurar o fio da meada em Paris.
Nos filmes, como na vida real, há algumas pendências entre franceses e americanos – na vida real, criadas artificialmente bem mais pelos yankees do que o contrário. Humoristicamente, o roteiro de Jeff Nathanson dá uma chance de revide aos gauleses, através da figura um tanto sádica do inspetor (Roman Polanski) que recebe os dois policiais no aeroporto e lhes dá um tratamento um tanto constrangedor.
Também se mostra disposto a um acerto de contas com os súditos de Bush o motorista de táxi George (Yvan Attal, de Munique). Desta vez, ele é quem leva um tranco do habitualmente gentil Carter e acaba, por isso, participando das corridas mais emocionantes de sua tediosa vida nas ruas de Paris, perseguido por motoqueiros implacáveis.
O que está em jogo é uma misteriosa lista dos votantes da Tríade, a mortal máfia chinesa. Por conta disso, Lee e Carter vão protagonizar muitas correrias e lutas, as mais eletrizantes tendo como cenário nada menos do que o cartão postal mais manjado de Paris, a Torre Eiffel. Os efeitos especiais dão uma ajudinha, claro. Mas em alguns momentos Jackie Chan parece um pouco cansado desta vida super-atlética que leva no cinema já há 45 anos. Chan tem 53 anos. Pode ter fôlego para muitos filmes daqui em diante. Mas esta franquia, embora simpática, parece que já deu o que tinha de dar.
