Em seu novo filme, Viagem a Darjeeling, o diretor norte-americano Wes Anderson aborda um tema que lhe é caro: a figura paterna. Nesse quinto longa de sua carreira, os protagonistas são três irmãos que não se falam desde a morte do pai, há um ano, e vão para a Índia à procura da mãe.
Em seus trabalhos mais conhecidos, como Os Excêntricos Tenenbaums (2001), um pai que está com os dias contados tenta acertar as contas com os filhos. Em A Vida Marinha com Steve Zissou (2004), um rapaz encontra seu pai que nunca conheceu e tenta ficar amigo dele.
Francis (Owen Wilson) é o mais bem-sucedido financeiramente entre os irmãos, e o mais controlador também. A mulher de Peter (Adrien Brody) está grávida e ele crê que não saberá lidar com a paternidade. Já Jack (Jason Schwartzman) brigou com a namorada mas não pára de gravar recados na caixa de recados do celular dela.
O trio viaja num trem rumo a Darjeeling, na Índia, numa jornada que se torna mais inusitada a cada momento. Além dos choques com situações e personagens do país, emergem as diferenças do passado e presente entre os irmãos - o que, no universo de Anderson, é um passo para a reconciliação. Um incidente numa vila hindu envolvendo a salvação de alguns meninos num rio cria espaço para uma nova compreensão fraterna. Mas ainda falta uma coisa: encontrar a mãe – interpretada por Anjelica Huston – que há anos optou pelo isolamento num mosteiro.
Toda essa trama serve como base para o diretor desfilar o seu estilo, que inclui câmera lenta, trilha sonora pop e uma direção de arte colorida. Aqui, além de bandas como The Kinks e Rolling Stones, ouve-se músicas de filmes do consagrado cineasta indiano Satyajit Ray (1921-1992), vencedor de um Oscar especial de carreira em 1992.
A grande diferença em relação a outros trabalhos anteriores de Anderson é que aqui o cineasta estoura a bolha que prendia seus personagens num ambiente extremamente estilizado, dando-lhes a chance de viver num mundo real.
