Rolling Stones, Sympathy for the Devil é a montagem feita pelo produtor Iain Quarrier; One+One é a versão do cineasta. Na verdade, existem poucas diferenças entre uma obra e outra. Mas, desde 1968, raramente os dois filmes são vistos juntos.
Os documentários fazem uma radiografia da juventude do final dos anos de 1960, acompanhando sessões de estúdio dos Rolling Stones e outros símbolos dessa geração. Na época, a banda estava no seu auge, com canções de cunho político. O filme acompanha a gênese da canção que lhe empresta o título. Com isso, tem-se a oportunidade de ver boa parte de seu processo criativo.
Nas ruas da Inglaterra e Estados Unidos, Godard mostra jovens adeptos da contracultura protestando contra a ordem. Assim, aparecem nas ruas pichações como FREUDEMOCRACY, CINEMARXISM e SOVIETICONG, escritas por uma personagem chamada Eve Democracy, interpretada por Anne Wiazemsky. Também estão em cena um grupo de militantes da causa negra inspirados nos Panteras Negras, além de ícones da época, como Marianne Faithful e Anita Pallenberg.
No plano formal, o diretor privilegia movimentos de câmera sutis e planos longos – em especial nas cenas de estúdio. Assim, Godard faz justiça ao título One + One (Um mais Um), no qual imperam a simplicidade e a síntese.
A dupla de documentários também entrou para história por conta de seus bastidores. Conta-se que, no dia da estréia em Londres, Godard levou ao produtor um cheque no valor dos ingressos vendidos e exigiu que o público recebesse de volta o que pagou – afinal, não estavam vendo o filme que ele imaginou.
Na época do lançamento nos Estados Unidos, o crítico do The New York Times perguntava em sua resenha porque uma pessoa iria preferir ver a versão do produtor, quando tinha disponível a do diretor.
