Um Plano Brilhante é até certo ponto um filme de roubo atípico. Isso porque o centro da ação nem é o golpe – que até acontece num dado momento – mas a relação entre dois personagens vividos por Demi Moore (Bobby) e Michael Caine (Batman Begins).
Essa não é a primeira vez que os dois atores trabalham juntos. Nos anos de 1980, fizeram Feitiço do Rio – no qual eram pai e filha. Vinte e quatro anos, um Oscar (para Caine), um grande sucesso e vários fracassos (para Demi) depois, eles contracenam novamente, agora sob a batuta de Michael Radford (O Carteiro e o Poeta).
Laura (Demi) é um caso raro no mundo das corporações. Em plena década de 1960, ela é a única mulher a ter um cargo de executiva na London Diamonds Corp. No entanto, fica frustrada quando é preterida numa promoção.
Quando acontece um escândalo envolvendo minas na África e a morte de vários funcionários da empresa, as relações da London Diamonds com os parceiros russos ficam tensas. Laura faz um plano para contornar a situação, mas não recebe créditos por isso.
Pelo faxineiro Hobbs (Caine), ela descobre que está a um passo de ser demitida. Usando a natural revolta da funcionária contra a empresa, ele a convida a participar de um grande esquema de roubo. Que, caso dê certo, será o maior e o mais ousado já ocorrido ali dentro.
Nesse ponto, Um Plano Brilhante aborda duas questões: sexismo e luta de classes. A personagem de Demi Moore sempre é passada para trás por ser mulher, embora, muitas vezes se mostre mais inteligente do que seus colegas do sexo masculino. Já Hobbs enfrenta problemas por pertencer a uma camada social mais baixa. Ele prova, no entanto, que a sua esperteza pode ser uma boa forma de dar o troco.
O filme caminha bem até o momento do roubo, com momentos muito bem arquitetados. Depois perde um pouco de seu foco quando se desvia para a relação entre Laura e um investigador vindo de fora da empresa (Lambert Wilson, de Medos Privados em Lugares Públicos).
Quem mais parece se divertir em tudo isso é o ator Michael Caine, retomando um gênero de filme em que fez sucesso. Ele, como de costume, acaba roubando as cenas, tornando seu personagem bem mais interessante e surpreendente do que a protagonista, Laura.
