Inventados pelos gregos, os Jogos Olímpicos entram na vida da Gália, colônia romana no ano 50 A.C., por causa do amor. Um dos gauleses, Apaixonadix (Stéphane Rousseau) caiu de amores pela princesa grega Irina (Vanessa Hessler) que, por sua vez, se apaixonou pelos belos poemas das cartas do pretendente. Mal sabe ela que o verdadeiro autor é o gorducho Obélix (Gérard Depardieu) – como acontecia em Cyrano de Bergerac, um dos famosos filmes do ator.
Problema é que o pequeno gaulês tem um rival sério pelo coração da princesa – ninguém menos do que Brutus (Benoît Poelvoorde), o filho do imperador Júlio César (interpretado com graça e carisma por Alain Delon). Como a princesa não pode simplesmente dispensar o poderoso Brutus, encontra um estratagema – vai dar sua mão ao vencedor dos Jogos Olímpicos.
Seguros de seus talentos esportivos e também da poção mágica de seu velho druida, Obélix, Astérix (agora interpretado por Clovis Cornillac) e o resto da delegação gálica encaram o desafio. Daí para a frente, terão de enfrentar a disposição de Brutus de tornar sua vida difícil. Ele começa convencendo o comitê olímpico a banir quaisquer poções mágicas nos Jogos, senão, constituiria doping.
O exame antidoping (com insetos) é uma das boas sacadas do roteiro. Assim como será também a introdução de uma “parada nos boxes” durante a corrida de bigas – na qual um dos participantes é Michael Schumacher em pessoa, representando a Germânia. Um pouco adiante, um jovem egípcio vai inventar o futebol e ele é ninguém menos do que o craque francês Zinédine Zidane – irreconhecível com uma túnica curta, peruca longa e olhos pintados de kajal.
Nestas sacadas modernas e nos efeitos especiais estão os melhores achados deste que foi alegadamente o mais caro filme francês feito até hoje, com orçamento de 78 milhões de euros (ou mais de US$ 110 milhões).
Dispensando botox e efeitos especiais, brilha ao natural o veterano Alain Delon. Dominando um papel que corresponde à sua imagem e semelhança, o imperador do cinema francês ironiza a própria figura e faz inúmeras piadinhas com seu passado cinematográfico. Como quando diz: “Eu não preciso de ninguém, nem de Rocco e seus irmãos...” – remetendo ao famoso filme de Luchino Visconti, de 1960. Atração à parte é sua esperteza para escapar das inúmeras armadilhas com que o filho ambicioso procura matá-lo. Este Brutus, ao contrário do histórico, não tem como levar a melhor com um Júlio César tão malandro.
