Vampiros são personagens extremamente ambíguos no cinema e na literatura. Do conde Drácula a Lestat, essas criaturas seduzem e causam medo. Baseado no primeiro livro de uma série de sucesso, Crepúsculo acrescenta mais um capítulo sobre os mortos-vivos no cinema.
O longa foi extremamente aguardado – em especial por uma legião de fãs dos romances de Stephenie Meyer, cuja obra parece Anne Rice para adolescentes. O primeiro romance chega como prólogo para a adaptação dos outros três livros.
Dirigido por Catherine Hardwicke (Os Reis de Dogtown), Crepúsculo mostra o amor impossível entre a humana Isabella “Bella” Swan (Kristen Stewart) e o vampiro Edward Collen (Robert Pattinson).
Ao entrar numa escola em sua nova cidade, Bella sente-se deslocada e praticamente não tem amigos. O mesmo acontece com Edward e seus irmãos, que são todos pálidos e não se misturam com os outros jovens. Uma série de incidentes aproxima a jovem e o vampiro, depois de uma hostilidade inicial.
Os vampiros de Crepúsculo são diferentes daquele tipo que Bram Stoker tornou famoso. Aqui, apesar de pálidos e sedutores como o conde Drácula, eles não dormem em caixões, não temem a noite, nem o alho. O que move os personagens é um amor carregado de romantismo, atualmente mais raro no cinema para jovens, no qual tudo, nos últimos tempos, parece estar fundado no cinismo.
Se no início o que interessaria a Edward é apenas o sangue de Bella, para a garota apaixonar-se por ele representa uma transgressão, significa mostrar que não é mesmo a garota mais sem graça da escola.
No entanto, por ser voltado para um público juvenil, o amor dos personagens de Crepúsculo pouco tem de carnal. É uma paixão romântica mesmo, baseada em promessas de pessoas apaixonadas. Ou seja, praticamente não há sangue sujando os dentes vampirescos de Edward, ou qualquer outra forma de contato mais quente.
Talvez esse seja um dos motivos que explique o sucesso dos livros de Stephenie (inclusive no Brasil) e do filme. Crepúsculo vai na contramão das histórias de amor que inundam os cinemas. Aqui se prega uma entrega incondicional e honesta por amor. O que não faz necessariamente deste um bom filme.
Em sua estréia, em Aos Treze (2002), a diretora mostrou que sabia lidar com as dores do crescimento, com as complicações que uma menina enfrenta ao se transformar numa moça. Aqui, no entanto, Hardwicke dificilmente consegue entrar no lado emocional de suas personagens, a ação é mais importante. Curiosamente, o comportamento de Bella parece tolo, quando se esperaria que fosse transgressor e corajoso.
