No mundo real, ratos são nojentos e exterminados. No cinema, transformam-se em criaturas encantadoras. O camundongo Despereaux e a ratazana Roscuro pertencem à longa tradição de roedores feitos para conquistar o público, especialmente o infantil. Nessa linha, incluem-se, além do protagonista de Ratatouille, outros como Mickey Mouse, Fievel e Jerry.
Baseado no premiado livro infantil de Kate DiCamillo, O Corajoso Ratinho Despereaux une uma série de historinhas que acabam se cruzando até o clímax, quando todas se encontram. Tudo começa quando a ratazana Roscuro chega ao perfeito Reino de Dór – um lugar governado por um rei justo e onde todos amam tomar sopa.
Uma série de azares, envolvendo o roedor, acabam por deixar o rei amargurado, levando-o a proibir sopa e ratos no seu reino. No subterrâneo de Dór, porém, existem dois mundos distintos: o primeiro habitado por ratinhos; o segundo, mais abaixo, por ratazanas horríveis e assustadoras.
Despereaux é um ratinho diferente que, ao contrário de todos os outros, não tem medo de nada. Corajoso, aventura-se pelo castelo e, ao invés de comer os livros, passa a lê-los, encantando-se com histórias de princesas em perigo e cavaleiros ousados. Ser destemido, porém, terá um preço alto. O ratinho acaba sendo mandado para o fundo do poço, ou seja, o mundo das ratazanas.
Enquanto isso, no castelo, a filha do rei, a princesa Pea, sofre pela falta de alegria na sua vida. Desde que o pai baixou proibições no reino, o sol nunca mais brilhou. Ela não é a única infeliz no castelo: Mig, órfã vendida pelo tio, é uma empregada que sonha em ser princesa e, junto com Roscuro, arquiteta um plano para tomar o lugar de Pea. Mas a menina não é muito inteligente e isso só trará confusões.
Os diretores Sam Fell (Por Água Abaixo, que também tinha ratos e mundos subterrâneos) e Rob Stevenhagen (animador veterano que estréia na direção) têm uma percepção para detalhes que enriquecem o filme, como os closes nas faces dos roedores mostrando os pelos e bigodes, ou mesmo as cenas de produção de sopa.
Já o roteiro, assinado por Gary Ross (Seabiscuit – Alma de Herói), tenta colocar numa ordem cronológica o vai-e-vem das narrativas do livro original. Isso acaba alterando o tom da história, tornando-a mais doce e adequada aos paladares acostumados com desenhos animados mais fofinhos.
