18/06/2026
Musical

Burlesque

A duras penas, a garota Ali consegue um emprego num bar de striptease e shows musicais. Ela sonha em tornar-se cantora mas a proprietária, Tess, que também canta, não quer dar-lhe uma chance.

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A vida de Christina Aguilera daria um filme triste, mas com final feliz. A jovem filha de mãe solteira, que sofre com a figura de um pai violento e enfrenta todas as dificuldades para fazer sucesso na carreira artística, é uma personagem e tanto para Hollywood, principalmente nestes tempos sombrios de crise econômica, em que os norte-americanos procuram esquecer as agruras do dia-a-dia no escuro da sala de cinema.

 Burlesque, de Steve Antin, estreia de Aguilera como atriz, é construído com alguns desses ingredientes. Mesmo que Ali, a personagem interpretada pela cantora, não tenha enfrentado tantas dificuldades, sua alma está impregnada pelo sofrimento de quem lhe empresta o corpo.
 
A loirinha divertida e repleta de planos, que joga para o ar o avental de garçonete num bar em Iowa, para viver o sonho de ser cantora em Los Angeles, é a história de muitas jovens. Mas nem todas chegaram onde Aguilera e Ali aportaram.
 
Sabendo um pouco do passado da cantora, não há como não sentir simpatia por Ali. Mesmo trabalhando como garçonete no Burlesque, um bar de strip-tease em Los Angeles (emprego que conseguiu na marra), a incansável Ali não sossega até convencer a proprietária, Tess (a cantora Cher, afastada do cinema desde 2003, quando fez  Ligado em você), a contratá-la como dançarina de sua companhia, que diverte os frequentadores do bar.
 
O passo seguinte é convencê-la de que pode cantar. Só a personagem de Cher tem esse privilégio. As demais coristas apenas interpretam os números coreografados por Tess com figurinos de Sean (Stanley Tucci, de O diabo veste Prada, numa ambientação que não disfarça ser inspirada em Cabaret (1972), de Bob Fosse.
Mas Burlesque não é Cabaret nem tmpouco Moulin Rouge, de Baz Luhrmann. Nem Aguilera é Liza Minnelli ou Nicole Kidman.
 
Tudo isso conta contra esse musical de Steve Antin. Seu filme não mergulha nos dramas e desafios dos personagens. Tess também é uma sofredora, pois está afundada em dívidas e prestes a perder o clube. O diretor prefere seguir a máxima de que o show tem de continuar, apesar de tudo.
 
E, aqui, o problema é que o show se estende por infindáveis 116 minutos, com a apresentação de sucessivos números de dança, que servem de aperitivo para o momento mais aguardado, quando Aguilera finalmente será autorizada a cantar. E ela consegue esse privilégio de forma inesperada, ao entoar à capela um blues de Etta James ("Tough Love"), com uma voz potente, que deixa a plateia comovida.
 
A boa recepção à performance da cantora serve de estímulo para Tess reformular os números musicais de seu cabaré, colocando Ali como protagonista. É a gota d'água para Nikki (Kristen Bell), a competitiva dançarina que era destaque da companhia, mas caiu em desgraça por causa da bebida e agora vê em Ali uma rival perigosa. Mas a loirinha não quer prejudicar ninguém, só pensa em fazer o que mais gosta: cantar.
 
Enquanto os números musicais prosseguem, ainda há tempo para criar uma história romântica para Ali, assediada por um construtor e frequentador do bar, Marcus (Eric Dane (de "Grey's Anatomy"), e cobiçada pelo garçom Jack (Cam Gigandet), com quem divide o apartamento onde mora.
 
Burlesque venceu um Globo de Ouro - melhor canção original ("You haven't seen the last of me"), mas não recebeu nenhuma indicação ao Oscar, o que deixou Cher muito irritada.
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