27/07/2026
Terror

Atividade paranormal - Tóquio

Haruka sofre um acidente, quebra as duas pernas e vai passar um tempo na casa do irmão, Hoichi. Durante a noite, estranhos fenômenos assombram a casa.

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Chega a ser curioso que o sucesso da franquia Atividade Paranormal, aparentemente, conseguiu subverter o que parecia praxe no gênero de terror americano nas últimas décadas: importar histórias do oriente. No contrafluxo de produções como O Chamado, O Grito, O Olho do Mal e Espelhos do Medo, refilmagens de êxitos asiáticos, finalmente os EUA conseguem emplacar um roteiro no outro continente.  

A inversão faz sentido. Idealizado em 2007 pelo então debutante roteirista e diretor Oren Peli, Atividade Paranormal combina simplicidade e baixo orçamento, duas características elementares de filmes como Ringu, Ju-on, Gin gwai e Geoul sokeuro - os títulos originais das versões acima mencionadas, respectivamente.

Quando foi lançado naquele ano, a um custo de US$ 11 mil (os atores receberam US$ 500 de cachê), o bom argumento, as comparações com A Bruxa de Blair, de cuja fonte bebe, e a assustadora campanha viral na web ajudaram o filme a render mais de US$ 184 milhões. Tudo isso, com apenas uma câmera gravando o que acontecia no quarto (assombrado) do casal protagonista durante a noite.

Com os altos rendimentos veio a sequência, Atividade Paranormal 2, que só no fim de semana de estreia, nos EUA, arrecadou mais de US$ 41 milhões e deu gás para um terceiro filme, que chega aos cinemas ainda este ano. Talvez, neste último, o espectador saiba o que finalmente aconteceu com a possuída personagem Katie (Katie Featherston), que desaparece após a morte de seu namorado.

No entanto, a versão nipônica, como se vê no meio do filme, está mais para clone da produção americana, do que propriamente uma refilmagem. A jovem Haruka (Noriko Aoyama) acaba de chegar dos Estados Unidos, onde sofreu um acidente – envolvendo Katie – que a fez quebrar suas duas pernas. Seu irmão Koichi (Aoi Nakamura), que acaba de comprar uma câmera, grava a chegada da irmã e os estranhos fenômenos que a acompanham.

Com medo de que a casa esteja assombrada, o casal de irmãos passa a filmar os espaços da casa enquanto dormem. A partir daí, eles começam a experimentar as mais sombrias ameaças invisíveis, principalmente quando objetos e Haruka são empurrados e levantados por supostos espíritos como bolas de futebol.  
 
O diretor e roteirista japonês Toshikazu Nagae tenta ser o mais fiel possível ao trabalho de Oren Peli, apenas adaptando algumas simbologias orientais na trama, como o conceito de “purificação da casa”. Entusiasta do gênero terror, Nagae já havia escrito, em 2002, o modesto Gosuto shisutemu, sobre um rapaz que recebe um e-mail de seu colega morto há mais de 10 anos e descobre fazer parte de sistema digital de contatar espíritos.
 
Com a base e as referências que possui, o diretor poderia ter explorado um pouco mais a história que tinha em mãos. Ao que parece, preferiu o caminho mais fácil da cópia, restando aos personagens repetirem o que o espectador acompanha desde 2007. Por isso, as cenas de real tensão, tão caras aos fãs do gênero, mostram-se apenas modestas e pontuais.
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