28/06/2026
Comédia Drama

Italiano para Principiantes

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O Dogma 95, que começou com um manifesto retumbante pela pureza cinematográfica e entregou ao mundo produtos iconoclastas como Festa de Família e Os Idiotas, parece estar adoçando seu próprio paladar com este novo exemplar, o primeiro dirigido por uma mulher, Lone Scherfig.

Curiosamente, um filme tão simples e assumidamente romântico, uniu premiações de público (Paris e Varsóvia) e crítica (Berlim/2001, onde arrebatou também um troféu do júri) - coisa rara no mundo do cinema. Em todo caso, é difícil não simpatizar com os sentimentos que a história invoca, em torno de seis personagens perdidos e trágicos, numa remota cidadezinha dinamarquesa, magicamente resgatados em torno de um inusitado curso de italiano.

Andreas (Anders W. Berthelsen, protagonista de Mifune, outro produto Dogma) é um jovem pastor que assume o templo protestante local, sem direção desde que o velho pastor mergulhara numa crise de fé, agredindo o organista. A situação de Andreas também não é fácil - ele acaba de ficar viúvo e enfrenta um profundo desconforto pela aridez do novo ambiente.

Na mesma cidadezinha, moram duas irmãs que não se conhecem, a cabeleireira Karen (Ann Eleonora Jorgensen) e a atendente de padaria Olympia (Anette Stovelbaek). Separadas desde a infância, uma ficou com o pai, outra com a mãe, ambos doentes. Por ironia do destino, a morte dos pais quase ao mesmo tempo apresenta as duas irmãs, justamente no templo onde se celebram as cerimônias fúnebres.

Estes personagens, mais o gerente de hotel Jorgen (Peter Gantzler) e o ex-garçom Halvfinn (Lars Kaalund), compartilham um outro ambiente, um curso de italiano, que tem por objetivo final uma viagem a Veneza. Em torno desse sonho, dos mal-entendidos lingüísticos e da paixão irresistível de Jorgen por uma garçonete italiana, Giulia (Sara Indrio Jensen), o roteiro arma um filme que pretende o bem-estar e a alegria dos espectadores, sem maiores elucubrações existenciais ou estilísticas. O despojamento da câmera dos dogmáticos desloca-se, assim, também para a história. Entretanto, é de se elogiar como parecem de carne e osso todos estes personagens. Pode-se acusar o Dogma 95 de muitas coisas, mas não de voltar as costas ao humanismo.

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