Diretor de curtas e um documentário, André Ristum estreia na direção de um longa de ficção com o premiado Meu País, que recebeu no Festival de Brasília deste ano troféus de melhor diretor e ator (Rodrigo Santoro), entre outros. O longa joga seu foco sobre a classe rica, seus dramas e problemas, na figura de um trio de irmãos.
Marcos (Santoro) mora na Itália e volta quando o pai (Paulo José) morre. Nesse retorno, reencontra não apenas o irmão, Tiago (Cauã Reymond), mas também descobre que tem uma meia-irmã com deficiência intelectual, Manuela (Débora Falabella), que vive numa clínica. É um retrato melancólico que Ristum faz dessa família toda desestruturada, da qual Marcos deverá ser o novo eixo, embora ele tenha planos de voltar para a Europa.
O ‘país’ do título é mais metafórico do que físico – é quase um estado de espírito que os personagens buscam. Seria a conciliação, o equilíbrio da família. O caminho para chegar até lá é tortuoso e nem sempre a narrativa ajuda. O título, por sua vez, causa estranhamento porque o país da elite vista no filme pouco se parece com o Brasil que conhecemos.
Contido em excesso, sente-se falta de um pouco mais de calor no trato com os personagens e seus dramas, que muitas vezes beiram o melodrama. A contenção das emoções dos personagens é até certo ponto compreensível – afinal, eles têm dificuldade de expressar o que sentem. Mas o filme em si poderia ser um pouco menos frio, trazer um pouco mais de calor humano às cenas. Debora se destaca numa personagem complicada que, em mãos menos talentosas, correria o risco de cair na caricatura
