Em seu novo filme, Spacey diz ser habitante de outro planeta, que chegou à Terra viajando através de fachos de luz. Sua primeira e repentina aparição ocorre numa estação ferroviária, onde é confundido com um batedor de carteiras. Acaba sendo levado para uma instituição psiquiátrica pois insiste em dizer, com a franqueza que caracteriza os alienígenas, que veio de outro planeta onde era conhecido como Prot.
No manicômio, Prot recebe doses maciças de medicamentos, mas nada parece alterar seu estado. O caso desperta o interesse do psiquiatra Mark Powell (Jeff Bridges, aqui no excessivo papel de um médico que mergulha no trabalho e deixa a própria família em segundo plano). Prot parece realmente um estranho no ninho, pois apesar das descrições que faz de seu planeta, parece ser uma pessoa normal. Isso intriga o médico, mas, por outro lado, não pode servir de argumento para atestar sua sanidade.
O envolvimento com o paciente desgasta ainda mais o relacionamento de Mark com a mulher (Mary McCormack), na verdade sua segunda esposa, com quem tem uma filha pequena O médico não se relaciona com o filho adolescente, que mora em outra cidade.
Os únicos que acreditam em Prot são os doentes mentais, que passam a cortejá-lo quando descobrem que ele levará um deles para seu planeta. A história, vista do ponto de vista dos deficientes e dos próprios cientistas, tem muitos pontos intrigantes que podem realmente confirmar a história contada por Prot. Ao ser levado para um encontro com um grupo de astrônomos, por exemplo, consegue deixar todos de boca aberta ao desenhar o sistema orbital da galáxia de onde diz ser nativo. Num outro momento, consegue desaparecer durante três dias, sem que ninguém o tenha visto sair da instituição. Quando é encontrado, sentado no galho de uma árvore, diz que visitou o Ártico para efetuar pesquisas, locomovendo-se pelos mesmos fachos de luz.
O principal problema para o espectador é a excessiva duração do filme e a falta de ação. Como num filme francês, Prot e seu médico passam a maior parte do tempo conversando e trocando impressões sobre temas que vão das frutas cultivadas em K-PAX, métodos reprodutivos dos habitantes do planeta, estrutura familiar e social, tudo confrontado com o ponto de vista dos terráqueos. Em alguns momentos, Prot passa mensagens religiosas sobre reencarnação e vidas futuras, dando algumas pitadas esotéricas ao seu já suficientemente exótico personagem.
Cineweb-12/4/2002
