04/06/2026
Drama

K-PAX - O Caminho da Luz

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Em seu primeiro papel no teatro, Willem Dafoe deu o máximo ao interpretar o coração de galinha em plena função, batendo no peito do personagem emplumado. Deve ter se saído muito bem, pois desde então tem conseguido papéis melhores. Kevin Spacey, formado pela tradicional Julliard School, Oscar de melhor ator em Beleza Americana, enfrentou um desafio semelhante em K-PAX - O Mensageiro da Luz, ao ser escalado para convencer a platéia de que é uma espécie de cruzamento entre um alienígena de um planeta distante mas pacífico e um terráqueo aparentemente com problemas mentais. No caso de Spacey, ele nem se esforça para convencer que veio de outra galáxia: usa óculos de sol pois tem fotofobia, está sempre com a barba por fazer, olha para todos com uma indisfarçada superioridade (típica como sabemos de habitantes de planetas mais desenvolvidos), come bananas com casca e late como um cachorro quando precisa descobrir os segredos do melhor amigo dos humanos. Ao contrário do Dafoe do início de carreira, Spacey conseguia escolher papéis melhores.

Em seu novo filme, Spacey diz ser habitante de outro planeta, que chegou à Terra viajando através de fachos de luz. Sua primeira e repentina aparição ocorre numa estação ferroviária, onde é confundido com um batedor de carteiras. Acaba sendo levado para uma instituição psiquiátrica pois insiste em dizer, com a franqueza que caracteriza os alienígenas, que veio de outro planeta onde era conhecido como Prot.

No manicômio, Prot recebe doses maciças de medicamentos, mas nada parece alterar seu estado. O caso desperta o interesse do psiquiatra Mark Powell (Jeff Bridges, aqui no excessivo papel de um médico que mergulha no trabalho e deixa a própria família em segundo plano). Prot parece realmente um estranho no ninho, pois apesar das descrições que faz de seu planeta, parece ser uma pessoa normal. Isso intriga o médico, mas, por outro lado, não pode servir de argumento para atestar sua sanidade.

O envolvimento com o paciente desgasta ainda mais o relacionamento de Mark com a mulher (Mary McCormack), na verdade sua segunda esposa, com quem tem uma filha pequena O médico não se relaciona com o filho adolescente, que mora em outra cidade.

Os únicos que acreditam em Prot são os doentes mentais, que passam a cortejá-lo quando descobrem que ele levará um deles para seu planeta. A história, vista do ponto de vista dos deficientes e dos próprios cientistas, tem muitos pontos intrigantes que podem realmente confirmar a história contada por Prot. Ao ser levado para um encontro com um grupo de astrônomos, por exemplo, consegue deixar todos de boca aberta ao desenhar o sistema orbital da galáxia de onde diz ser nativo. Num outro momento, consegue desaparecer durante três dias, sem que ninguém o tenha visto sair da instituição. Quando é encontrado, sentado no galho de uma árvore, diz que visitou o Ártico para efetuar pesquisas, locomovendo-se pelos mesmos fachos de luz.

O principal problema para o espectador é a excessiva duração do filme e a falta de ação. Como num filme francês, Prot e seu médico passam a maior parte do tempo conversando e trocando impressões sobre temas que vão das frutas cultivadas em K-PAX, métodos reprodutivos dos habitantes do planeta, estrutura familiar e social, tudo confrontado com o ponto de vista dos terráqueos. Em alguns momentos, Prot passa mensagens religiosas sobre reencarnação e vidas futuras, dando algumas pitadas esotéricas ao seu já suficientemente exótico personagem.

Cineweb-12/4/2002

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