18/07/2026
Drama

Lara

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Musa da intelectualidade carioca nos anos 60 e 70, a atriz Odete Lara é homenageada pela diretora Ana Maria Magalhães no longa Lara. A bela protagonista de Noite Vazia (1964), de Walter Hugo Khouri, é apresentada em toda a sua fragilidade. Filha de um imigrante italiano, estabelecido em São Paulo, foi internada ainda criança num colégio de freiras depois do suicídio da mãe. O próprio pai não pôde acompanhar o início de sua carreira como atriz, pois também se matou logo depois que a filha saiu de casa.

Sua estréia no teatro ocorreu em 1955 na peça Santa Marta Fabril e, um ano depois, chegou ao cinema no filme Gato de Madame, ao lado de Mazzaropi. Sua carreira se consolidou no Rio de Janeiro nos tumultuados anos 60, logo após a instalação do regime militar. Ana Maria Magalhães acompanha esse período, de grande efervescência política e cultural, fazendo um contraponto com a vida pessoal da atriz, mergulhada em profunda depressão e vivendo um difícil relacionamento amoroso com um diretor de teatro com problemas com a censura (Caco Ciocler).

A história é inspirada em dois livros autobiográficos escritos pela atriz que hoje prefere o isolamento e a meditação, após ter se convertido ao zen-budismo. O corajoso auto-retrato que alimentou o roteiro hoje é visto com uma dose de prudência pela atriz, como confessou em entrevista concedida à diretora. No filme, seu nome foi alterado para Lara Brandini e seu amante, Guima, é uma soma de vários homens que passaram pela vida da atriz, como o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha de Rasga Coração. O filme tem no elenco feminino sua maior força, principalmente na escolha da estreante Maria Manoella para interpretar Odete Lara na juventude.

Cineweb-8/11/2002

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