Sua estréia no teatro ocorreu em 1955 na peça Santa Marta Fabril e, um ano depois, chegou ao cinema no filme Gato de Madame, ao lado de Mazzaropi. Sua carreira se consolidou no Rio de Janeiro nos tumultuados anos 60, logo após a instalação do regime militar. Ana Maria Magalhães acompanha esse período, de grande efervescência política e cultural, fazendo um contraponto com a vida pessoal da atriz, mergulhada em profunda depressão e vivendo um difícil relacionamento amoroso com um diretor de teatro com problemas com a censura (Caco Ciocler).
A história é inspirada em dois livros autobiográficos escritos pela atriz que hoje prefere o isolamento e a meditação, após ter se convertido ao zen-budismo. O corajoso auto-retrato que alimentou o roteiro hoje é visto com uma dose de prudência pela atriz, como confessou em entrevista concedida à diretora. No filme, seu nome foi alterado para Lara Brandini e seu amante, Guima, é uma soma de vários homens que passaram pela vida da atriz, como o dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha de Rasga Coração. O filme tem no elenco feminino sua maior força, principalmente na escolha da estreante Maria Manoella para interpretar Odete Lara na juventude.
Cineweb-8/11/2002
