04/06/2026
Terror

A casa silenciosa

A garota Sarah, seu pai, John, e o tio, Peter, vão passar a noite numa casa há muito abandonada, precisando de reformas para ser vendida. Sem ver nada muito bem, eles percebem que há alguém, ou algo, morando ali. E que não tarda a tentar matar os recém-chegados.

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Parecia uma boa ideia. Comprar os direitos de um obscuro filme de terror uruguaio, que causou boa impressão no Festival de Cannes (2010), e colocar a história nas mãos dos diretores e roteiristas Chris Kentis e Laura Lau, responsáveis pelo tenso Mar Aberto (2003). Mas, entre a ideia e a execução, ninguém parece ter reparado que o material para se trabalhar era problemático.
 
Refilmagem de A Casa (2010), que custou apenas US$ 8 mil, A Casa Silenciosa não apenas traz todas as fragilidades genéticas de sua inspiração, como também investe em elementos desnecessários para a compreensão da história. São erros estruturais um tanto grosseiros, cuja versão americana se esforça em ampliar.

Com uma câmera na mão (no original era uma câmera fotográfica que gravava em HD), os diretores seguem os passos de Sarah (Elizabeth Olsen, de Poder Paranormal). Ela, seu pai John (Adam Trese, de Zodíaco) e seu tio Peter (Eric Sheffer Stevens, de Julie & Julia) vão para uma antiga casa da família no campo, que está fechada há muito tempo e precisa de reformas para ser vendida.

Como até as janelas estão vedadas, o ambiente escuro força o espectador a ver apenas o que Sarah ilumina. O problema é que a casa parece estar habitada por alguém, ou algo, que começa a perseguir Sarah e passar os demais na faca.  

As cenas a seguir lembram uma mistura de Bruxa de Blair (1997) e Atividade Paranormal (2007), ainda mais quando se sabe que A Casa tem como base uma história real, de misteriosos assassinatos ocorridos numa casa no interior do Uruguai na década de 1940. Faz lembrar também Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock, pois parece ser rodado em um único plano-sequência, como se fosse tudo em tempo real, mas é só truque de edição (basta observar que o sangue na blusa da moça muda de posição durante o filme).

Essas características introduzem uma tensão positiva ao filme, ao lado da cenografia e fotografia bem planejada. O problema central, das duas versões, está em enganar o espectador com uma estrutura narrativa ilógica. Como a câmera não é Sarah, mas sim uma espécie de observador de fora, ela precisaria manter objetividade e isenção diante do que se passa ao redor da personagem e não procurar tapear quem comprou o ingresso, forçado a ver uma reviravolta mal-ajambrada.

Para piorar, a adaptação americana ainda traz às cenas um desnecessário didatismo, que extrai todas as sutilezas do filme uruguaio, assinado pelo principiante Gustavo Hernández.   Chris Kentis e Laura Lau também se afastam do crime (nunca resolvido) que originou tudo isso, quando dois homens foram encontrados mutilados ao lado de fotos comprometedoras. Sem isso, falta um argumento para o desfecho. Mas aqui parece que ninguém está muito preocupado com o espectador.

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