Com uma câmera na mão (no original era uma câmera fotográfica que gravava em HD), os diretores seguem os passos de Sarah (Elizabeth Olsen, de Poder Paranormal). Ela, seu pai John (Adam Trese, de Zodíaco) e seu tio Peter (Eric Sheffer Stevens, de Julie & Julia) vão para uma antiga casa da família no campo, que está fechada há muito tempo e precisa de reformas para ser vendida.
Como até as janelas estão vedadas, o ambiente escuro força o espectador a ver apenas o que Sarah ilumina. O problema é que a casa parece estar habitada por alguém, ou algo, que começa a perseguir Sarah e passar os demais na faca.
As cenas a seguir lembram uma mistura de Bruxa de Blair (1997) e Atividade Paranormal (2007), ainda mais quando se sabe que A Casa tem como base uma história real, de misteriosos assassinatos ocorridos numa casa no interior do Uruguai na década de 1940. Faz lembrar também Festim Diabólico (1948), de Alfred Hitchcock, pois parece ser rodado em um único plano-sequência, como se fosse tudo em tempo real, mas é só truque de edição (basta observar que o sangue na blusa da moça muda de posição durante o filme).
Essas características introduzem uma tensão positiva ao filme, ao lado da cenografia e fotografia bem planejada. O problema central, das duas versões, está em enganar o espectador com uma estrutura narrativa ilógica. Como a câmera não é Sarah, mas sim uma espécie de observador de fora, ela precisaria manter objetividade e isenção diante do que se passa ao redor da personagem e não procurar tapear quem comprou o ingresso, forçado a ver uma reviravolta mal-ajambrada.
Para piorar, a adaptação americana ainda traz às cenas um desnecessário didatismo, que extrai todas as sutilezas do filme uruguaio, assinado pelo principiante Gustavo Hernández. Chris Kentis e Laura Lau também se afastam do crime (nunca resolvido) que originou tudo isso, quando dois homens foram encontrados mutilados ao lado de fotos comprometedoras. Sem isso, falta um argumento para o desfecho. Mas aqui parece que ninguém está muito preocupado com o espectador.
