04/06/2026
Documentário

Banda de Ipanema

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Fiel ao espírito debochado do carioca, o diretor Paulo Cezar Saraceni faz um documentário na mesma medida da Banda de Ipanema, fundada por Albino Pinheiro em 1965, que durante muitos anos foi uma espécie de braço bem- humorado da resistência ao regime militar. A esquerda mais radical atacava a avacalhação de seus integrantes, chamados pejorativamente de esquerda festiva. Mas ninguém se importava.

Com uma câmara digital na mão e muitos litros de cerveja na cabeça, Saraceni e sua equipe reuniram no histórico Jangadeiro, reduto da boemia e da intelectualidade carioca, antigos integrantes da banda para uma homenagem a Albino (morto em 1999 aos 65 anos), durante o carnaval de 2000. Velhos parceiros, como Ferdy Carneiro, os cartunistas Ziraldo e Jaguar, os jornalistas Sérgio Cabral e Fausto Wolff e tantos outros, relembram histórias do comandante da Banda de Ipanema e sua paixão pelo samba.

O próprio Saraceni é um dos personagens, entrevistando pessoas e dando também suas opiniões. O clima é de roda de samba, com músicos atacando antigos sucessos carnavalescos e os participantes embriagados de emoção e muito chope. Também pelo "realismo" das filmagens, não deixa de ser divertido acompanhar os depoimentos de velhos amigos de Albino Pinheiro, tropeçando nas palavras e procurando manter o equilíbrio diante do microfone.

O filme mostra cenas da saída da Banda no carnaval de 2000 e alterna imagens históricas de antigos desfiles. Um dos quais contou com a honrosa presença de Pixinguinha.

Saraceni pode até ter feito um documentário apressado e sem muito rigor histórico, mas nem por isso sua homenagem a Albino Pinheiro deixou de transpirar o carinho que uma geração de cariocas dedicou a um de seus filhos mais ilustres.

Cineweb-28/2/2003

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