A decupagem tem menos o dedo de Fincher (Clube da Luta, Vidas em Jogo e Seven) do que da equipe de computação gráfica. Imagens virtuais conduzem o espectador por dentro de fios de telefone, dutos de refrigeração, através de paredes e outros locais inatingíveis com câmeras convencionais. O artifício visualmente interessante, no entanto, acaba se tornando enfadonho dado o número de vezes com que é acionado. O roteiro de David Koepp também não ajuda e, entre as pérolas de originalidade, estão citações ao faz-tudo MacGyver e ao escritor Edgar Allan Poe.
Meg Altman (Jodie Foster, que substituiu Nicole Kidman após de uma fratura no joelho) e a filha Sarah (Kristen Stewart) mudam-se para uma enorme casa em Nova York que pertencia a um milionário excêntrico. Entre as peculiaridades do local, está um quarto impenetrável, cercado por quatro paredes de concreto, porta de aço, linha telefônica independente e monitores de segurança com visão de todos os cômodos. Na primeira noite depois da mudança, a casa é invadida por três ladrões que tentam roubar algo escondido no quarto do pânico. Mas Meg, ao perceber a invasão, tranca-se lá com a filha e o bandidos têm, então, de encontrar uma maneira de fazê-las sair.
Com o crescimento da violência, a preocupação com a segurança aumenta e, nos Estados Unidos, chega-se a cobrar de US$ 50 mil a US$ 100 mil por esse tipo de bunker residencial. A paranóia, extremada pelos ataques terroristas ao World Trade Center, cede ao filme a lição moral final: por que é necessário morar em uma casa tão grande? Na época de Tróia, os muros davam proteção contra os gregos que, segundo a mitologia, queriam recuperar Helena. Hoje em dia, a bela esposa de Menelau não suscitaria tanto interesse nos gregos quanto os títulos bancários escondidos no quarto do pânico.
Cineweb-7/6/2002
