04/06/2026
Drama Comédia

A montanha Matterhorn

Fred é viúvo e vive solitário em sua casa impecavelmente limpa e arrumada. Passa todo tempo ocupado nas tarefas do trabalho. Horas livres, passa na igreja, que fica pertinho de sua casa. Até que um dia muda toda a sua rotina quando acolhe um sem-teto com problemas mentais, Theo.

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Fred (Ton Kas) poderia escrever um manual do solitário. Afinal, desde a morte da mulher, ele se especializou em encher suas muitas horas sozinho de uma rotina plena de tarefas, cumpridas meticulosamente, que ocupam sua mente e energia. Sua casa é um brinco, sempre arrumada, impecável. Quando sobra tempo livre, ele o passa nos cultos na igreja, que fica a poucos metros de sua casa.
 
À primeira vista, se poderia até pensar que Fred está envolvido num projeto de santidade. Nada como a chegada de um estranho, Theo (René van’t Hof) para testar os limites de tanto apego à ordem.
 
Theo, para começar, não tem nada de organizado. É um sem-teto com algum tipo indefinido de problema mental, cuja mera aparição, na vizinhança classe média, é um tumulto. Por isso, ele é rejeitado, até hostilizado, a princípio. Mas o próprio Fred acaba se compadecendo e acolhe Theo em sua casa.
 
O diretor e roteirista holandês, o estreante Diedrik Ebbinge, tira bom partido de sua ótima dupla de atores, escrevendo cenas do mais puro cinema mudo. Já que Theo não consegue comunicar-se verbalmente, soltando uma linguagem incompreensível sempre que o tenta, a saída é Fred criar formas gestuais de entendimento, nem sempre com sucesso.
 
Do choque de realidades bem distintas, nascem situações tragicômicas, que encaminham o verdadeiro tema – a tolerância com o diferente e a inevitabilidade da surpresa na dinâmica da vida. Tudo isso sem discursinho politicamente correto, de forma bem natural e espontânea. Por isso, especialmente, pode-se simpatizar sem culpa com este filme, exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2013.  
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