Não faltam superlativos para uma das mais importantes atrizes do cinema mundial, a francesa Juliette Binoche. Multifacetada artista, dedica-se à dança e a pintura, é modelo e filantropa, vencedora do Oscar e de alguns dos principais festivais internacionais de cinema (Cannes, Veneza, Berlim, César, entre outros). A veterana atriz faz um extraordinário trabalho na pele de Rebecca, em Mil Vezes Boa Noite.
Dirigido pelo norueguês Erik Poppe (de Troubled Water), o filme mostra o dilema da protagonista. De um lado, o trabalho que ama, como fotojornalista em zonas de conflitos, no qual arrisca a vida para mostrar ao mundo genocídios aos quais não raro ele teima em fechar os olhos. De outro, o sofrimento de sua família, em especial do marido Marcus (Nikolaj Coster-Waldau, de série Game of Thrones), que exige o fim de seus perigosas incursões.
O ultimato é provocado quando Rebecca volta para casa depois de ficar gravemente ferida no Afeganistão. Aliás, estão ali uma das melhores cenas do filme, quando a fotógrafa companha a preparação de uma jovem terrorista suicida, mostrando a dualidade entre o registro puro e as emoções que envolvem a protagonista.
Mas, diferentemente de produções como Sob Fogo Cerrado (de Roger Spottiswoode, 1983) ou Repórteres de Guerra (de Steven Silver, 2010), que versam sobre o tema, Poppe (que também assina o roteiro) evita os questionamentos sobre a neutralidade da jornalista ante à barbárie. Na verdade, exalta a compulsão de Rebecca pelo retrato vívido, mesmo que isso diminua o impacto das lutas armadas para o espectador.
Afinal, o foco está na delicadeza com que Binoche compõe sua personagem e nos conflitos internos que irrompem na tela, com a sensibilidade irresistível da atriz. Seja no front ou despedaçando seu coração frente à filha adolescente Steph (Lauryn Canny), Binoche encanta e emociona neste papel que Poppe escreveu para extrair o seu melhor.
Rebecca é uma experiente fotógrafa especializada na cobertura de áreas de conflito. Um dia, ela é ferida num incidente envolvendo uma terrorista. O marido, Marcus, exige que ela abandone esse trabalho. Ou então, o divórcio estará a caminho.
- Por Rodrigo Zavala
- 04/11/2014
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