09/09/2026
Documentário

O Último Poema

Durante 24 anos, Helena Maria Balbinot correspondeu-se com o poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade. O longa investiga essa troca de mensagens, revisitando essa amizade.

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Por 24 anos, uma professora de Guaporé, interior do Rio Grande do Sul, correspondeu-se com o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Hoje aposentada, Helena Maria Balbinot Vicari acumula um tesouro dessas cartas, trocadas entre 1962 e 1986, que marcam um contato à distância pontuado pela humanidade atenciosa de Drummond.
 
Tudo começou em 1960, quando Helena, ainda cursando o magistério, e já apaixonada pela obra do autor de Sentimento do Mundo, Menino Antigo e A Rosa do Povo, escreveu-lhe pedindo um autógrafo. Ele respondeu de volta e iniciou a troca de cartas, em que os dois falavam da vida e da literatura. Helena também é poeta e lhe mandava seus versos. Delicado, Drummond comentava, sempre ressaltando, mineiramente: “Não sou crítico”. Preferia falar de amigos como Mário de Andrade e acompanhar de longe as mudanças na vida de Helena, que se casou, teve filhos e cursou também Filosofia.
 
Formal, ela o tratava como “sr. Drummond” até que ele reclamou da reverência. Afinal, nunca se conheceram. Uma vez, ela esteve no Rio com a família e o procurou. Mas ele estava no aeroporto, onde fora buscar a filha e os netos. Helena só conseguiu deixar-lhe um presente. Depois se falaram, mas só por telefone.
 
Além das cartas do poeta, hoje Helena coleciona bonecas, canecas e álbuns de fotos, sentindo que assim tenta reter o tempo, matéria-prima tão constante na obra de um dos nossos poetas maiores e que ela aponta como responsável pela ampliação de seus horizontes e sensibilidade.
 
Completando a lembrança de Drummond, atores declamam seus poemas.
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