Durante 15 dias, Andrucha e sua equipe visitaram 19 localidades nordestinas, em Pernambuco, Bahia, Ceará, Paraíba e Sergipe, deslocando-se num Bandeirante e pousando onde era possível. Com um ritmo de 18 horas por dia de trabalho, as equipes chegaram a visitar quatro cidades num único dia.
Não há como deixar de se emocionar ao acompanhar o resultado final, como a chegada de Gilberto Gil e Chiquinha Gonzaga, irmã de Luiz Gonzaga, a Exu, terra natal do Rei do Baião e onde ainda vivem alguns de seus familiares, muitos mantendo a tradição, com a sanfona pendurada no pescoço. Chiquinha lembra histórias do irmão e canta algumas músicas de seu conhecido repertório.
O próprio Gil não consegue conter as lágrimas num momento solitário, num terreiro árido, contemplando a beleza da caatinga ao anoitecer. Com a ajuda de Andrucha, ele conseguiu realizar um velho sonho de menino, percorrendo o interior nordestino durante as festas juninas.
Andrucha entrevista músicos populares e profissionais, como Sivuca e Dominguinhos, e também gente simples, e mostra o dia-a-dia dos lugarejos durante os preparativos para a grande festa. Tudo com muita música e histórias contadas pelos sertanejos. Uma camponesa, com a espingarda na mão, diz que já botou muito marmanjo para correr, mas se emociona ao lembrar músicas antigas de Luiz Gonzaga.
O diretor equilibra o filme com cenas de um show de Gilberto Gil na praia de Botafogo, no Rio, antes do grupo colocar o pé nas estradas poeirentas do nordeste. Quando o filme termina, ainda ficam na memória alguns baiões, xotes e xaxados que fizeram tanto sucesso nos rádios de pilhas, quando as festas ainda eram iluminadas pelos candeeiros de óleo. Nesses tempos globalizados, a tradição ainda resiste na alma nordestina.
Cineweb-14/6/2002
