15/06/2026
Drama

O vale do amor

Vários anos depois de seu divórcio e há muito sem se falar, Isabelle e Gérard se reencontram, no Vale da Morte, nos EUA. Naquele cenário fantástico, eles concordaram em fazer uma jornada, cujas etapas foram definidas numa carta pelo filho dos dois, que se suicidou.

post-ex_7
Nem a rara reunião dos consagrados Isabelle Huppert e Gérard Depardieu salvam O vale do amor, de Guillaume Nicloux, de ser um furo n’água. Apesar de todo o esforço de dois intérpretes extraordinários, não se consegue acreditar na autenticidade do calvário de um ex-casal, que teve um filho que se suicidou, nos EUA. Este filho deixou-lhes, por carta, um itinerário a ser seguido por sete dias, em locais e horários determinados, no Vale da Morte norte-americano, prometendo que, ao final da jornada, os pais o reencontrariam.
 
Juntos na tela aqui pela terceira vez – a primeira foi em Corações Loucos (74) e a segunda em Loulou (80) -, os dois veteranos atores fazem uma espécie de caricatura de si mesmos. Também na história, são atores franceses de prestígio, chamam-se Gérard e Isabelle. O recurso poderia funcionar como uma espécie de auto-ironia (que eventualmente até eles conseguem) mas não decola porque o roteiro trava nesta viagem inverossímil. O que se vê é um ex-casal que confronta suas lembranças, vive incidentes isolados com alguns estranhos (como o homem que pede um autógrafo a Gérard), mas o tempo todo fica comprometido por não saber resolver essa pendência com o filho morto nem como inseri-la no contexto.
 
Nem realista, nem fantástico, nem new age, nem rock’n roll, o filme nada mais é que uma sucessão de paisagens incríveis (merecidamente ganhou um César de fotografia), propícias a um faroeste da alma, caso o diretor/roteirista tivesse tido a competência de criá-lo. O artificialismo é tremendo e as emoções não fluem. Quando o filme acaba, a sensação é de um imenso desperdício.
post