Nem a rara reunião dos consagrados Isabelle Huppert e Gérard Depardieu salvam O vale do amor, de Guillaume Nicloux, de ser um furo n’água. Apesar de todo o esforço de dois intérpretes extraordinários, não se consegue acreditar na autenticidade do calvário de um ex-casal, que teve um filho que se suicidou, nos EUA. Este filho deixou-lhes, por carta, um itinerário a ser seguido por sete dias, em locais e horários determinados, no Vale da Morte norte-americano, prometendo que, ao final da jornada, os pais o reencontrariam.
Juntos na tela aqui pela terceira vez – a primeira foi em Corações Loucos (74) e a segunda em Loulou (80) -, os dois veteranos atores fazem uma espécie de caricatura de si mesmos. Também na história, são atores franceses de prestígio, chamam-se Gérard e Isabelle. O recurso poderia funcionar como uma espécie de auto-ironia (que eventualmente até eles conseguem) mas não decola porque o roteiro trava nesta viagem inverossímil. O que se vê é um ex-casal que confronta suas lembranças, vive incidentes isolados com alguns estranhos (como o homem que pede um autógrafo a Gérard), mas o tempo todo fica comprometido por não saber resolver essa pendência com o filho morto nem como inseri-la no contexto.
Nem realista, nem fantástico, nem new age, nem rock’n roll, o filme nada mais é que uma sucessão de paisagens incríveis (merecidamente ganhou um César de fotografia), propícias a um faroeste da alma, caso o diretor/roteirista tivesse tido a competência de criá-lo. O artificialismo é tremendo e as emoções não fluem. Quando o filme acaba, a sensação é de um imenso desperdício.
