26/07/2026
Documentário

Galeria F

Militante político desde os 14 anos, Theodomiro Romeiro dos Santos entrou para os quadros do PCBR. Preso, foi condenado à morte em 1971. Mas resolveu fugir da prisão Lemos Brito, na Bahia, quando descobriu que tramavam matá-lo na prisão. Junto com seu filho caçula, ele reconstitui as etapas dessa fuga.

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Preso político da ditadura militar que passou quase dez anos preso, entre os 18 e 28 anos, Theodomiro Romeiro dos Santos ostenta no currículo a temível distinção de ter sido o único prisioneiro condenado à morte no período republicano, o que ocorreu em 1971.
 
O documentário Galeria F, de Emília Silveira, reconstitui em primeira pessoa a história de Theodomiro, um militante político desde os 14 anos que se aproximou do PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário), sobreviveu a torturas e protagonizou uma espetacular fuga do presídio Lemos de Brito, na Bahia, poucos dias antes da votação da Lei da Anistia, em agosto de 1979 – que o preso sabia que não o atingiria.
 
O filme atinge um clima de road movie a partir da escolha de levar seu protagonista, ao lado do filho caçula, Guga, a refazer a mesma rota que ele seguiu para esta fuga, que o levaria ao exílio – e que, ao que tudo indica, salvou sua vida. Na época, Theodomiro teve informações de que se tramava sua morte na prisão, sob o disfarce de uma briga entre detentos, apenas para não permitir a sobrevivência de um homem que matou um sargento.
 
O documentário reconstitui as circunstâncias desta morte por trás da condenação de Theodomiro, procurando manter seu foco equilibrado ao reexaminar suas escolhas e recriar o clima daqueles anos de chumbo. E o faz com bastante riqueza de detalhes, não só a partir dos minuciosos relatos de seu articulado personagem como de pessoas que participaram de sua trajetória política e de sua fuga, que incluiu diversas paradas e ocultamentos, num hotel, numa fazenda de cacau e num convento.
 
Neste compasso de reavaliação, o documentário permite que se olhe novamente esse passado não muito distante, descortinando não só a vida aventurosa e arriscada de seu protagonista como as circunstâncias da história recente deste país tão atribulado. Por esse rigor e critério, o filme é ferramenta valiosa para repensar a história e a identidade do Brasil.
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