03/06/2026
Drama

Minha amiga do parque

Liz conhece Rosa no parque onde leva seu filho recém-nascido e logo se tornam amigas. Logo ela começa a desconfiar que há algo de errado com a outra.

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Em Minha amiga do parque, a cineasta argentina Ana Katz tem uma tarefa tripla: escreveu o roteiro (em colaboração com Inés Bortagaray, sendo premiado no Festival de Sundance de 2016), dirige o filme e interpreta uma das protagonistas, ao lado de Julieta Zylberberg, que faz Liz, uma jovem mãe de um recém-nascido, um tanto solitária, que vê na desconhecida Rosa (Ana) a amiga de que tanto precisa.
 
Liz é uma editora e escritora, cujo marido (Daniel Hendler), é um documentarista que vive viajando a trabalho. Sua mãe morreu quando ela estava na gestação, e a moça se sente muito solitária. A personagem é insegura com seu novo papel de mãe, acha que está fazendo tudo errado, que o bebê pode sentir suas inseguranças, e isso a preocupa ainda mais. Pouco ajuda também o fato de ter uma babá mais velha (Mirella Pascual), o que gera uma tensão.
 
Por isso a descoberta de Rosa, num parque, numa situação parecida, com uma bebê no colo, é um alívio para Liz. Ela é a amiga de que tanto precisa naquele momento. Não custa muito para a protagonista perceber de que há algo de errado com a mulher – uma outra colega de parque também a avisa (“ela e a irmã não são como nós”), mas Liz opta por ignorar os sinais.
 
Rosa tem uma irmã chamada Renata (Malena Figo), que também tem um comportamento, digamos, peculiar, além de uma arma na bolsa – o que deixa Liz mais preocupada. O filme é todo visto pelo ponto de vista dela, fazendo com que a tensão seja crescente – talvez tudo não passe de uma insegurança dela, o medo de fracassar como mãe, ou realmente algo de estranho e perigoso pode estar sendo tramado, envolvendo a ela e ao filho.
 
Há uma diferença de classe bastante evidente entre as duas personagens, e a diretora-roteirista tira proveito disso na construção do filme: as duas irmãs são realmente mal intencionadas ou isso é apenas paranoia de Liz? Como o filme é contado do ponto de vista dela, o público acaba se tornando seu cúmplice – mesmo que involuntariamente. Ana nem sempre sabe muito bem o que fazer com a tensão que cria entre as duas mulheres e na trama. Mas seu desenho das personagens é bastante interessante e resulta numa investigação dos limites da sororidade.
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