Mais uma vez, é o documentarista sueco Peter Cohen quem se debruça por este assunto polêmico. Ele que já havia executado com brilho o fascinante Arquitetura da Destruição (1989) repete a dose, reconstruindo peça por peça os fundamentos de uma escola de pensamento que partiu da utopia de um predomínio neutro da biologia mas serviu para fundamentar a exclusão social e racial de alguns grupos.
A Suécia foi a pioneira na criação de um Instituto de Biologia Racial na cidade de Uppsala, em 1922. Seus estudos fundamentaram uma lei que, na prática, forçava a esterilização de dezenas de cidadãos, portadores das mais diversas síndromes físicas ou mentais, que vigorou na democrática Suécia, por incrível que pareça, até meados dos anos 70.
Nas primeiras décadas do século, a Alemanha, particularmente, deixou-se seduzir pelo mito do homem perfeito biológica e psicologicamente, trilhando um caminho que chegou, por vias tortas, aos massacres de judeus, doentes mentais, homossexuais e outros tidos como fracos ou inaptos.
Também obcecada pelo ideal do homem perfeito, a URSS dos primeiros tempos de sua revolução acabou por abandonar e até perseguir os cientistas eugenistas. No debate que colocava de um lado os mendelistas, adeptos da primazia da herança genética, e, de outro os lamarquistas, que defendiam que a genética era determinada pelo ambiente, os soviéticos privilegiaram o segundo grupo. Contra toda a evidência que, cientificamente, deu razão aos mendelistas, a URSS de Stálin foi incapaz de conviver com a idéia de uma genética que não pudesse ser submetida ao trabalho - porque isso, na visão do ditador, era contra-revolucionário.
