Um jovem japonês (Rikiya Kurokawa) viaja até a Austrália em busca de sua deusa. A tão amada criatura não é uma mulher estonteante e sim um antigo modelo Citroën 2CV, que o rapaz deseja comprar. Ao chegar, se depara com a proprietária do veículo, uma jovem cega (Rose Byrne, prêmio de melhor atriz no Festival de Veneza de 2000) de 17 anos que o convence a levá-la até a casa de seu avô, no interior do país. A viagem dura cinco dias e o caminho físico se transforma num mergulho introspectivo na vida das duas personagens.
Como pano de fundo estão as belíssimas paisagens australianas, embora o filme se desenrole principalmente no interior de um carro. O tempo também não é linear, já que A Deusa de 1967 se utiliza de digressões esporádicas para narrar a trágica vida da menina cega.
A dualidade é bastante visível nas relações humanas, mas é o contato do jovem japonês com a vida selvagem que rende a cena mais emblemática do filme. Além de carros, o rapaz também é obcecado por répteis e cria, em casa, duas cobras. No continente autraliano, ele tenta capturar um pequeno lagarto que cruza seu caminho, mas leva uma mordida do animal e entra em pânico. Assim, o filme brinca com a idéia de que o homem domestica animais no seu habitat, a cidade, enquanto não passa de presa fácil num território que não é o seu.
