O título original do francês Mentes Extraordinárias é Presque (Quase), e é a maneira como um dos personagens, interpretado pelo filósofo suíço Alexandre Jollien, refere-se a si mesmo. Com dificuldades motoras e de fala, por complicações no parto, que lhe causaram paralisia cerebral, ele diz que é “quase normal”. É esse desprendimento que chama mais a atenção nessa comédia protagonizada e dirigida por ele e Bernard Campan.
Muito da própria experiência de Jollien, certamente, é trazida para o personagem, chamado Igor – como ter passado a infância e adolescência numa instituição especializada, internado pela família. Porém, ao contrário do ator, Igor não é formado em filosofia e trabalha como entregador numa quitanda. Até que um dia é atropelado em sua bicicleta pelo carro de Louis (Campan), um agente funerário.
É daí que nasce a amizade inusitada nesse road movie pouco criativo, mas que tira seu proveito do carisma de Igor que, ao contrário de Jollien, está descobrindo o mundo agora. No carro funerário, a caminho de Cevanas, na França, para onde levam o corpo de uma mulher para ser enterrada.
O princípio do filme é bem básico. Louis e Igor são opostos. O agente funerário, que se dedicou a vida toda a um trabalho que nunca escolheu, mas herdou do pai, negligenciou seu lado pessoal: nunca se casou, não tem amigos e tudo se resume ao trabalho. O outro, por sua vez, é otimista e sempre tem uma citação filosófica para animar a situação.
A cumplicidade entre Campan e Jollien é clara, assim como a tendência de humanizar de forma leve as situações, resultando num filme simpático, mas previsível e um pouco raso. De qualquer forma, acaba sendo uma celebração do otimismo e do talento de Jollien.
