08/06/2026
Drama

Amigos de risco

Depois de passar anos longe do Recife, Joca está de volta e convida os amigos Nelsão e Benito para uma noitada. Porém, quando tem uma overdose e fica à beira da morte tudo se complica.

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 A imagem mais marcante de Amigos de Risco é o corpo de um personagem à beira da morte, nocauteado por uma overdose, carregado de um lado para outro por seus amigos numa noite qualquer do Recife. Primeiro longa do montador Daniel Bandeira, a única cópia do filme foi perdida por uma companhia aérea em 2008, quando estava sendo transportada para São Paulo. Depois de uma longa batalha judicial, só agora o filme chega ao circuito comercial. 
 
É curioso ver pela primeira vez em 2022 um filme de 15 anos atrás. Amigos de Risco teve poucas exibições em festivais, como Brasília e Mostra Internacional de São Paulo (nesse caso, a cópia exibida foi uma espécie de rascunho que tinha sido salva, já que a oficial fora perdida). No elenco está Irandhir Santos, que, na época, havia feito apenas pequenos papéis em Cinema, Aspirinas e Urubus e Baixio das Bestas, e hoje é um dos grandes atores da atualidade. O Brasil e o mundo também eram outros. Mas certas questões do filme são perenes.
 
O tema central aqui é o peso de uma amizade – as vantagens e desvantagens, alegrias e desgostos. Joca (Irandhir) volta ao Recife e quer se encontrar com seus antigos amigos Nelsão (Paulo Dias), garçom de um restaurante, e Benito (Rodrigo Riszla), que trabalha numa gráfica e acaba de ser abandonado pela esposa – uma perda que não superou. 
 
As vidas estagnadas dos dois infelizes contrastam com a facilidade com que Joca gasta dinheiro. Ficou rico? Entrou num esquema milionário? O personagem tem sua visão peculiar sobre o mundo – o que irá desagradar aos amigos, mas que, ainda assim, continuam ao lado dele a noite toda, especialmente quando ele fica inerte. 
 
O filme é uma longa jornada noite adentro pelas ruas da cidade, em busca, primeiro de diversão, e, depois, de socorro para a vida de Joca, que está por um fio. O roteiro, assinado também por Bandeira, coloca os personagens em movimento o tempo todo e, nesse sentido, descortina realidades dos bairros do Recife e a relação do trio com a cidade que, mais do que um cenário, é uma personagem.

Amigos de Risco não tem nada de datado – mesmo com a década e meia que o separa de sua estreia no Festival de Brasília e sua chegada ao circuito comercial. A realidade social um tanto decadente mostrada na noite se acentuou. As dificuldades financeiras que os personagens passavam também certamente se acirraram. E, dessa forma, o filme acaba sendo uma espécie de testamento de um tempo que já passou.
 
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