Não há muito de novo na comédia dramática francesa Lola e seus irmãos, dirigida por Jean-Paul Rouve, que também faz um dos personagens do título, o optometrista Benoît. Mas tudo é feito com tanta sinceridade, que é possível fazer vistas grossas, por boa parte do tempo, às suas obviedades.
Escrito por Rouve e o romancista David Foenkinos (A delicadeza do amor), o longa acompanha um período na vida no trio central, a partir do terceiro casamento de Benoît, com a bela e ingênua Sandra (Pauline Clément). Pierre (José Garcia) é especialista em demolição e, em seu último trabalho, um prédio próximo ao derrubado teve suas estruturas abaladas - isso o fez perder o emprego, mesmo não sendo culpa dele. Este se torna um segredo que esconde dos irmãos e do filho (Gabriel Naccache).
A caçula Lola (Ludivine Sagnier) é uma advogada que trabalha com divórcios e acabou se apaixonando por um de seus clientes, Zoher (Ramzy Bedia), que se separou da mulher pois ela não queria ter filhos. Basta dizer que Lola quer ser mãe, e a matemática do filme está feita.
O trio de irmãos tem pouco em comum, mas se dão bem e, eventualmente, se encontram no cemitério para visitar o túmulo dos pais. Essas pequenas reuniões resultam em brigas e reconciliações. Lola, mesmo sendo a mais nova, se revela a mais madura e uma figura maternal para os irmãos.
O filme tem um olhar carinhoso pelos personagens, embora nem sempre eles levantem maiores voos para além do que representam naquele momento. Pierre, por exemplo, é o desempregado que esconde isso da família, pois tem vergonha e tenta se encaixar nas dinâmicas do novo mercado de trabalho. Benoît é um homem atrapalhado na vida e nos negócios.
Talvez apenas Lola se sobressaia como uma personagem um pouco mais complexa – possivelmente, pela delicada interpretação de Sagnier. Seu drama com Zoher, embora não traga muito de novo, é honesto e emotivo.
