Primeiro foi Crepúsculo – na verdade, não foi o primeiro na história do cinema, mas no século XXI... –, depois veio 50 Tons de Cinza, até chegar em After. Todos com os mesmos traços, a mesma origem de uma literatura de qualidade duvidosa, que gerou filmes piores ainda. Nesse sentido, After – Depois da promessa, o quarto e não-último filme da franquia, não decepciona, mantém a mesma linha dos antecessores, talvez estabelecendo um novo precedente, um pouco abaixo do que veio antes.
Aqui a heroína insossa Tessa (Josephine Langford) continua seu esforço de transformar o bad boy Hardin (Hero Fiennes Tiffin) em good boy – e todo mundo tem problemas paternos. Ela, conforme diz: “meu pai mora na rua”. Já ele descobre que seu pai biológico é o melhor amigo da família, Vance (Stephen Moyer), o que só acentua o comportamento autodestrutivo do rapaz.
Não há muita coisa acontecendo no roteiro de Sharon Soboil, baseado no romance homônimo de Ann Todd. Tessa e Hardin brigam porque ele está sempre acompanhado de uma garrafa, mas ela diz que não vai desistir dele, até que, finalmente, desiste – talvez não por muito tempo. Então ele tenta se destruir ainda mais, até perceber que ela só queria seu bem e tenta reconquistá-la.
A história de amor pós-adolescente se desenvolve de maneira quase casta e bastante ingênua, embora existam algumas tentativas de fazer um retrato ousado dessa juventude: como uma festa num apartamento em Londres, na qual Hardin se entope de álcool e Tessa tenta salvá-lo, ameaçando abandoná-lo. Nada de novo.
O problema de After, desde o primeiro filme, para além de suas sub-qualidades cinematográficas, é como romantiza um relacionamento abusivo. Tanto Tessa quanto Hardin necessitam de ajuda psicológica especializada, o comportamento de ambos faz mal para eles e para quem os cerca. O rapaz até participa de uma terapia de grupo, mas não parece estar funcionando bem.
A direção pouco inspirada de Castille Landon, também responsável pelo filme anterior da franquia, After - Depois do Desencontro, parece um amálgama de tudo o que há de ruim no gênero – das músicas incessantes aos choros melosos, passando por um elenco que é um desfile de canastrice, que inclui Mira Sorvino (substituindo Selma Blair como mãe de Tessa). De qualquer forma, os filmes da série continuam, com a promessa até mesmo de um contando a história anterior ao encontro do casal – ou seja, nada é tão ruim que não possa piorar.
