Um lugar bem longe daqui é o que vem à mente ao longo das infindáveis mais de 2 horas de projeção do filme dirigido por Olivia Newman, inspirado no best-seller de Delia Owens. A trama se passa, na década de 1950, num brejo no sul dos Estados Unidos, e isso a narradora/protagonista deixa bem claro no começo do longa, quando explica a diferença entre brejo e pântano. Mas o brejo do filme é um brejo gourmet, limpinho, fofo, poético.
Já a protagonista, Kya Clark (Daisy Edgar-Jones), é uma espécie de Juma Marruá americana – com a desvantagem de não conseguir se transformar em onça –, criada sozinha nesse lugar, apaixonada por plantas e pequenos animais, e com pouco contato com a civilização, o que lhe rendeu o apelido Menina do Brejo. Logo no começo da trama, ela é acusada de matar um rapaz, Chase (Harris Dickinson), com quem teve um caso, e acaba presa.
Um advogado bondoso acredita na inocência dela. O fato de Tom Milton ser interpretado pelo grande David Strathairn traz alguma credibilidade ao personagem. Para ele, a cidade toda a maltratou o tempo todo, foi preconceituosa e mesquinha com a garota, que foi abandonada pela mãe (Ahna O'Reilly), e os irmão, e ficou à mercê do pai (Garret Dillahunt) violento e abusivo.
Kya teve alguns bons momentos em sua vida com Tate (Taylor John Smith), seu amor desde a infância com quem compartilhou algumas coisas como viver e crescer na região do brejo e a ausência da figura materna. Os dois crescem e se tornam namorados. Ele a ensina a ler e escrever, e ela se tornará uma escritora famosa no futuro com seus livros com desenhos de animais do brejo.
A protagonista, no entanto, acaba sempre abandonada, e quando Tate vai para a faculdade sem nem se despedir dela, ela se sente traída, e acaba se envolvendo com Chase, um homem abusivo e comprometido que vai acabar morto de forma misteriosa – pode ter caído de uma plataforma sozinho embriagado ou alguém o empurrou.
O roteiro de Lucy Alibar alterna a história de Kya com o julgamento no qual ela é acusada do crime mesmo sem evidências ou provas fortes. A história da jovem, agora aos 24 anos, é contada de maneira convencional indo e vindo no tempo e durando bem mais do que devia.
Edgar-Jones que brilho na série Normal People está apática como a protagonista de um filme morno e um tanto cafona, fazendo parecer, em alguns momentos, uma adaptação dos romances açucarados de Nicolas Sparks. A diretora de Um lugar bem longe daqui não se arrisca, tudo é superficial e estranhamente limpinho, mesmo com a maior parte da ação se passando num brejo.
