04/07/2026
Drama

Um Lugar Bem Longe Daqui

Kya, mais conhecida como Garota do Brejo, vive sozinha numa região brejeira no sul dos EUA. Abandonada pela família, ela cresceu com seu amor pela natureza, sem nunca ter frequentado uma escola. Aos 24 anos, é acusada e matar seu amante. Baseado no livro homônimo de Delia Owens.

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Um lugar bem longe daqui é o que vem à mente ao longo das infindáveis mais de 2 horas de projeção do filme dirigido por Olivia Newman, inspirado no best-seller de Delia Owens. A trama se passa, na década de 1950, num brejo no sul dos Estados Unidos, e isso a narradora/protagonista deixa bem claro no começo do longa, quando explica a diferença entre brejo e pântano. Mas o brejo do filme é um brejo gourmet, limpinho, fofo, poético.
 
Já a protagonista, Kya Clark (Daisy Edgar-Jones), é uma espécie de Juma Marruá americana – com a desvantagem de não conseguir se transformar em onça –, criada sozinha nesse lugar, apaixonada por plantas e pequenos animais, e com pouco contato com a civilização, o que lhe rendeu o apelido Menina do Brejo. Logo no começo da trama, ela é acusada de matar um rapaz, Chase (Harris Dickinson), com quem teve um caso, e acaba presa.
 
Um advogado bondoso acredita na inocência dela. O fato de Tom Milton ser interpretado pelo grande David Strathairn traz alguma credibilidade ao personagem. Para ele, a cidade toda a maltratou o tempo todo, foi preconceituosa e mesquinha com a garota, que foi abandonada pela mãe (Ahna O'Reilly), e os irmão, e ficou à mercê do pai (Garret Dillahunt) violento e abusivo.
 
Kya teve alguns bons momentos em sua vida com Tate (Taylor John Smith), seu amor desde a infância com quem compartilhou algumas coisas como viver e crescer na região do brejo e a ausência da figura materna. Os dois crescem e se tornam namorados. Ele a ensina a ler e escrever, e ela se tornará uma escritora famosa no futuro com seus livros com desenhos de animais do brejo.
 
A protagonista, no entanto, acaba sempre abandonada, e quando Tate vai para a faculdade sem nem se despedir dela, ela se sente traída, e acaba se envolvendo com Chase, um homem abusivo e comprometido que vai acabar morto de forma misteriosa – pode ter caído de uma plataforma sozinho embriagado ou alguém o empurrou.
 
O roteiro de Lucy Alibar alterna a história de Kya com o julgamento no qual ela é acusada do crime mesmo sem evidências ou provas fortes. A história da jovem, agora aos 24 anos, é contada de maneira convencional indo e vindo no tempo e durando bem mais do que devia.
 
Edgar-Jones que brilho na série Normal People está apática como a protagonista de um filme morno e um tanto cafona, fazendo parecer, em alguns momentos, uma adaptação dos romances açucarados de Nicolas Sparks. A diretora de Um lugar bem longe daqui não se arrisca, tudo é superficial e estranhamente limpinho, mesmo com a maior parte da ação se passando num brejo. 
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