Em Mundo Estranho, a Disney levou bem a sério os temas de diversidade e representatividade, a ponto de colocar um cachorro de três patas para que todos se sintam representados, representadas e representades. Não é uma ideia nada ruim colocar entre os protagonistas um adolescente negro e gay – o que irritou os conservadores norte-americanos, que já estão pedindo o boicote ao filme.
Para quem tem a mente mais aberta, no entanto, essa animação tem a oferecer seu colorido vibrante e personagens carismáticos, ainda que com uma história excessiva, com vontade de englobar coisas demais, sem dar conta de tudo. Ecologia e uso de recursos naturais – outro tema polêmico na direita – também são questões centrais.
Dirigido por Don Hall (Moana) e escrito por Qui Nguyen (que também leva crédito de codiretor), o filme tem como protagonista a família Clade, um clã de exploradores que vive na pequena Avalonia, uma terra cercada por montanhas, que impedem a visão do que há do outro lado. Ninguém nunca conseguiu transpô-las, embora Jaeger Clade tenha tentado, desaparecendo nessa expedição.
Seu filho, Searcher, e os demais exploradores voltaram a Avalonia. E, anos depois, o rapaz é uma celebridade local, pois encontrou uma planta, a Pando, que produz frutos capazes de gerar energia para a cidade, transformando a vida de todos. Ele mantém um casamento birracial com Meridian, e são pais de Ethan, que é apaixonado – e aparentemente correspondido – por seu melhor amigo.
Uma praga, no entanto, está destruindo as frutinhas que geram energia, e uma nova aventura se avizinha. Calista, ex-expedicionária da trupe de Jaeger e presidente de Avalonia, chama Searcher para uma missão no Mundo Estranho, onde deverão descobrir o que está acontecendo com as plantações. Sem que eles percebam, Ethan também entra na nave.
Nesse ambiente misterioso, encontram os mais diversos tipos de criaturas, com cores brilhantes, formas inusitadas e comportamentos inesperados. A outra surpresa será o encontro com Jaeger, trazendo à tona uma série de questões mal resolvidas entre pai e filho, e agora também neto.
Como é de se esperar, Ethan se mostra muito mais receptivo às novidades, aos novos seres que têm formatos inusitados. E isso está em sintonia com a ideia central de Mundo Estranho: as novas gerações têm muito a ensinar ao seus pais e avós sobre aceitação e representatividade. O filme vai ao cerne dessa questão ao povoar sua história não apenas com seres diferentes, mas humanos de diversas raças e origens, elevando a diversidade a um nível poucas vezes visto em filmes da Disney. O melhor de tudo é que, dentro de Avalonia, isso não é uma questão – assim como o crush de Ethan pelo amigo.
