Professor universitário especializado em estudos sobre Hitler, Jack (Adam Driver) tem sua vida ancorada pelo trabalho bem-sucedido e por um casamento aparentemente bem-resolvido com Babette (Greta Gerwig), em que os dois juntaram filhos de casamentos anteriores e tiveram mais um, Wilder, ainda bem pequeno.
Desse núcleo inicial tira-se o rastilho de pólvora que arrasta uma pequena comunidade autocentrada e que resume, de várias maneiras, os EUA de 40 anos atrás, que tantas semelhanças acumula com o de hoje. A aparente tranquilidade será abalada pela explosão de um caminhão, que espalha uma nuvem tóxica em toda região.
A catástrofe põe em fuga todas as famílias, numa sequência de situações que providenciam um gatilho a um maiores medos deste casal, o medo da morte. Um jura ao outro que quer morrer antes para não experienciar a solidão desta perda. Aparentemente comum, este temor leva a que os dois, especialmente Babette, procurem remédios para esta dor, simbolizando a procura obsessiva de nossa sociedade de buscar soluções químicas até para algumas das questões fundadoras da condição humana - como a consciência da mortalidade.
Tratando de coisas sérias, o filme cria um escape irônico no tom bizarro que recobre as situações, personalidades e manias do casal e seus filhos, particularmente os adolescentes Denise (Raffy Cassidy), obcecada por remédios, especialmente os tomados por sua mãe, e Heinrich (Sam Nivola), um nerd que parece sempre saber tudo. A outra menina, Steffie (May Nivola), vive apavorada no meio de tudo isso.
Diante de uma história assim, era de se esperar um final talvez trágico. Sem querer dar spoiler, o final não alivia as questões que o filme discute, evidentemente, mas remete à ideia de que, apesar de tudo, a humanidade chegou até aqui - então, alguma alegria é possível, com uma contagiante coreografia.
